Muppet-Film "The Muppet Movie"

Imagine pegar na mão um ventilador para montar. Isso, mesmo, um ventilador. Essa peça simples, que você coloca em cima da mesa para refrescar o ambiente. Não supera o meio metro de altura.

Voltando ao processo de montagem. Retira-se o objeto da caixa e coloca-o dividido em alguns pedaços sobre uma superfície plana. Está repartido da seguinte forma: peça do motor, suporte, grade traseira, grade dianteira, conjunto de hélices e o fixador dianteiro… E uma porca.

Sim, tinha uma porca!

Antes de prosseguir, cabe contextualizar. Já estamos no outono, o mês de março ainda traz as famosas chuvas do fim de verão e os dias ainda permanecem um pouco abafados. Fator que explica as chuvas no fim dos dias.

Após chover, a temperatura cai um pouco. Porém, o calor é algo muito pessoal – assim como o frio. Alguns sentem mais; outros, menos.

Para quem sente calor em excesso, um ventilador pode ajudar. Está explicada a necessidade da montagem da simples peça. Aparentemente simples. Até então.

Inicia-se o processo de encaixe das peças.

Ao lado está o manual de instrução. Fechado. Não faz sentido abri-lo, afinal todas as peças estão na ordem e vão se unindo. Chego a pensar que o processo virou automático. Sete peças. Todas se “encontrando” como em um passe de mágica.

Vai peça um, peça dois, peça três… E, então, chega a hora do encaixe da porca. Depois disso, basta ligar o aparelho na tomada e refrescar o ambiente. Do abrir a caixa até a colocação da porca, lá se foram uns 10 minutos. Ao lado, não se esqueça, o manual segue fechado.

Voltando ao momento final – a colocação da porca… Maldita porca!

Cadê que não é possível realizar o simples movimento de rosquear a porca no parafuso?

Cai porca pra cá. Cai porca pra lá. E não tem porca que pare no lugar.

O que parecia um processo mágico transforma-se em um filme de terror. Já se foram mais 10 minutos; Apenas tentando encaixar a “maledeta” porca!

Abrir o manual para ver como se encaixa uma porca? Nunca!

No momento do nervosismo cômico, enfia-se o ventilador na tomada. Claro, óbvio, evidente: a hélice pula. Sai rolando quarto afora!

“Porca filha de uma puta… Porca do Caralho…Porca dos Inferno…”

O calor aumenta. O suor chega como as Cataratas do Iguaçu em dias de nível elevado.
Mais 10 minutos!

Mesmo com alto grau de inconformismo, abre-se o manual. Acredite: a “porra” da porca para entrar na “merda” do parafuso tem que ser rosqueada no sentido anti-horário… Quem inventa uma “porra” de uma porca que entra numa “merda” de um parafuso no sentido anti-horário?

Enfim, recolhe-se todas as peças que estão espalhadas pelo quarto e conclui-se a montagem.

Agora, ligar o ventilador é questão de necessidade. Afinal, o suor aumentou um tanto quanto.

Ventilador montado. Saldo final: 30 minutos entre o mundo mágico e o inferno em forma de porca. E, passados 10 minutos, já fazia frio… Desliga-se o ventilador!

E depois leio de um amigo que a porca rosqueada ao contrário tem um motivo muito simples: evitar que a hélice girando não a afrouxe. É, faz sentido!

Mas nada tira minha raiva das porcas. Feliz era na infância, quando porca não passava de um bicho rosado que grunhia. No mais, era rir muito com a Miss Piggy.

*Escrito em maio de 2011