folha

Pelas mãos do jornalista João Carlos Magalhães, a Folha de S. Paulo trouxe ao palco do noticiário a seguinte informação: Indicador defasado ‘esconde’ 22 milhões de miseráveis do país. Trata-se de uma análise feita pelo jornalista, com base em informações disponibilizadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social, que cuida de programas como o Bolsa Família e o Brasil sem Miséria.

Em linhas, João Carlos aponta para o fato de o valor mínimo de R$ 70,00, estipulado pelo governo em 2011 como o piso para que o cidadão não esteja na linha de miséria, nunca ter sido reajustado. No mesmo período, mostram os dados, os preços subiram 10,8%. Se aplicado o reajuste segundo a inflação, o auxílio deveria ser de R$ 77,56.

De fato, a aplicação do programa deve ser questionada. Pensemos, afinal, viver anos de inflação disparada como foi no fim da década de 80 e durante toda década de 90. Se hoje o valor está defasado em 7 reais e pouco, duas décadas atrás esse abismo seria absurdo.

Porém, na mesma medida que avaliar criticamente a estrutura do programa seria um ato legítimo, a reportagem também deveria esclarecer que as diretrizes do programa não apontam para reajustes anuais, ou mesmo periódicos, dos valores pagos. Definiu-se, em 2011, com base em estudos do Banco Mundial, que o valor mínimo da linha da miséria é de R$ 70,00, sem considerar aumento dos preços e índices de inflação.

O programa tem falhas. Sim, tem. Mas a reportagem está longe de ser totalmente transparente e aproxima-se muito de um primeiro tremular de bandeiras contrárias ao governo com foco em 2014.

Anúncios