Na foto, os irmão Marcelo e Matheus Theotonio. O segundo falará na Câmara
Desde que aportou na cadeira de chefe do executivo de Pindamonhangaba, o prefeito tucano Vito Ardito Lerário tem reforçado aos seus aliados, nos bastidores do poder, uma máxima: quer fazer mais – muito mais – do que fez João Ribeiro. Um antigo parceiro de tucanato. Hoje, um adversário no campo político. Os caminhos que Vito pretende tomar para superar a administração passada é que ainda não estão claros. 

Aliás, o tucano traça rotas estranhas, desde a saída constante de secretários, diretores e assessores, em menos de 90 dias de mandato, até decisões pouco pensadas, como o desmantelamento  do esporte local. Para pessoas próximas, o secretário de Esporte, Leandro Galdino, já confidenciou não ser favorável a todas as decisões do prefeito. Foi mais longe, disse estar chateado, pois estaria sendo considerado o “o pior secretário de esportes que Pinda já teve”. E reforça não ter culpa, nem dedos, nas decisões.

Entre os fatos mais marcantes está o fim da parceria público-privada que mantinha a equipe de ciclismo. Vitoriosa, diga-se. Além da vitrine nacional e, até mesmo, internacional, que a equipe vinha proporcionando à cidade, havia ainda a escolinha com 25 atletas mirins. A escolinha também foi embora. E foi embora o sonho da molecada. Hoje sem bicicleta. Sem treino.

Também foi embora o time de vôlei e também estão sem apoio atletas de esportes individuais, como é o caso do judoca Matheus Theotonio. Há 26 anos defendendo o nome do município, o atleta resolveu falar. Escolheu o Legislativo e lá estará na próxima segunda-feira, dia 15, às 17h50. Vai à tribuna livre da casa – a qual todo cidadão tem direito de uso. “Vou falar a respeito da atual situação em que me encontro – sendo um atleta de Pindamonhangaba –, bem como os demais jovens que sempre lutaram pelo esporte”, destaca. Matheus classifica a situação do esporte da cidade como “lamentável e complicada”. Como de fato está!

O poder público fala em uma reestruturação do esporte. Algo legítimo. Inclusive, importante. Mas não há como negar que parte dessas manobras de “não apoio” está ligada a questões políticas. Afinal, não há o que explique o fato do ex-secretário de Esporte, Antônio Carlos Macedo Giúdice, estar hoje cuidando de academia da melhor idade. Quem o conhece, sabe do potencial e do caráter do ex-secretário.

Talvez o andar moroso da carruagem esportiva seja uma boa, em tempos de elaborações de dossiês de caça às bruxas do passado. E quanto às bruxas do presente?  

E no legislativo, local em que Matheus escolheu para expressar suas ideias, os vereadores optaram pelo silêncio. Um silêncio, digamos, ensurdecedor!