Sai de cena Bento XVI, o alemão Joseph Ratzinger, que agora é apresentado ao mundo como Papa Emérito, e ganha os grandiosos salões do Vaticano Jorge Mario Bergoglio, o argentino autodenominado Papa Francisco. Apesar do sobrenome e dos pais italianos, trata-se do primeiro líder da igreja católica que precisou atravessar o Atlântico para ganhar a sacada da Praça São Pedro.
 
O 266º papa traz com sua nomeação outros ineditismos à história, como ser o primeiro não europeu escolhido ao posto máximo da Igreja Católica em mais de mil anos, bem como o único papa jesuíta. Eleito pelo que se chamou de “periferia” do clero – uma corrente também mais conservadora –, Francisco é um papa sob medida para os interesses da igreja, em um momento em que ela, enquanto instituição, precisa fortalecer suas bases. E aposta no resgate de seus valores religiosos mais tradicionais para garantir esse processo de restauração.
 
Nos últimos anos, o Vaticano ficou marcado pelo vazamento de documentos secretos – caso mundialmente conhecido como Vatileaks –, que, entre outras denúncias, apontava superfaturamentos em gastos no Estado. Paralelamente, os casos de pedofilia envolvendo padres mundo afora também pesaram contra a imagem da igreja. A postura de Bento XVI foi de investigação em ambos os casos – caminho escolhido que lhe garantiu pouca sustentação junto aos “seus iguais”.
 
Voltando a Francisco, seu passado enquanto Bergoglio é pouco explorado, inclusive pela grande mídia. Entre as passagens de sua história está a postura no mínimo omissa na violenta ditadura Argentina iniciada nos anos 70. O foco está no Francisco de linha conservadora, que dá sinais de que será capaz de manter intocáveis temas controversos, na visão da igreja, como o casamento de pessoas do mesmo sexo e o uso de preservativos e outros métodos anticoncepcionais.
 
Passado o período de rumores e de certa instabilidade com a renúncia de Ratzinger, o momento é de Francisco se apresentar – e ser apresentado – ao mundo como o “Papa dos pobres”. A igreja não precisa de um novo “Papa pop” com João Paulo II, mas ao menos de um líder pouco focado nas questões administrativas, capaz de dar total atenção ao seu 1,5 bilhão de fiéis. Começou bem, dispensando os tradicionais sapatos vermelhos, o papamóvel blindado e a postura pouco carismática de Bento XVI.  
 
Trata-se de um papa de estilo simples, que, espera-se, será capaz dar nova vida à igreja sem precisar abalar os modus operandi do Vaticano e de seus representantes.