“Não vou deixar de sair só por causa da lei…”

A dita acima chegou ao meu conhecimento no último fim de semana. O ser humano que a proferiu referia-se à Lei Seca – agora mais intolerante. Não é mais permitido nem 0,0000…1% de álcool no sangue. Lei dura. Severa. Dizem alguns. Lei necessária. Lei da moralidade. Resmungam outros.

Independentemente – e indiferentemente – das observações e conclusões feitas por cada um de nós, brasileiros, ou moradores deste latifúndio, trata-se de uma lei. Esta, que, uma vez lei, deve ser cumprida. Daí uma das razões de sermos vistos como cidadãos. Donos de direitos. E de deveres – entre os quais, cumprir as leis vigentes.

A conclusão a qual cheguei sobre a tal frase do começo do texto pode até estar reforçada em um fato que marcou os últimos dois dias. O atropelamento nas ruas de São Paulo. No qual a vítima – David Santos Souza, 21, ciclista – teve um braço arrancado no momento do acidente. O motorista não parou para prestar socorro. Quilômetros depois, ao perceber que o braço do ciclista estava em seu carro, tratou de lançá-lo no primeiro córrego paulistano – que vezes deve encher e causar alagamentos devido à falta de infraestrutura, bem como pelo fato de sofás, pneus, latas e, agora, braços serem lançados por “homens de bem”. O motorista estava bêbado. Acabara de sair de um bar, no Itaim Bibi. São relatos.

Voltando ao que conclui sobre a dita frase, de fato o – ou a – fulano – ou fulana – não tem obrigação alguma de cumprir a lei. Aliás, nenhuma lei tem que, obrigatoriamente, ser cumprida. Alguns mais “revolucionários” diriam: – as leis foram feitas para serem desrespeitadas.

Não cumpridas ou desrespeitadas, as leis são apenas um instrumento criado pela sociedade para definir alguns limites de “boa vizinhança” – esses que deveriam ser lógicos; sem necessidade de leis. Mas, enfim, elas se fazem indispensáveis. Não cumpri-las, apesar de ser um “direito”, resultará em consequências.

Portanto, saiamos para bares a baladas. Enchamos a cara de cerveja, tequilas, destilados e afins… Voltemos aos nossos próprios carros e, em zig zag, sigamos para nossas casas. Mas, se no meio disso algo acontecer, sejamos tão “machos” para aguentar as consequências do nosso ato, assim como fomos no momento de proferir a célebre frase: “Leis são para os fracos!”

Quanto às vítimas que possamos fazer com nosso perfil de “macho”, hoje um braço. Amanhã uma vida. E vice-versa. E assim seguimos…