>>> … nem os animais, que agem por puro instinto, atacam sem motivo. O ser humano já chegou ao tal ponto. E a pergunta é: qual é o limite?

A vida humana parece cada vez mais suspensa por um frágil fio de linha de costura. Aquele que com um simples puxão arrebentamos antes de passar na agulha para um rápido conserto na barra da calça. E a culpa é da classe política? Da polícia? Do Estado?

De fato eles não são “inocentes” nessa realidade. Mas estão longe de serem os vilões principais da história.

Não é possível segmentar – apontar culpado X ou Y. A sociedade como um todo está doente. E essa doença é resultado da impaciência, do desrespeito e da falta de sensibilidade dos seres humanos que vagam pelo mundo. A polícia, o congresso, as instituições em geral, são conduzidas por homens. Homens que brotam dessa sociedade machucada, ferida pelos males da incompreensão e da frieza dos atos.

Ontem, dia 4 de fevereiro, trafegava pelas ruas centrais de Pinda quando um taxista tentava de todas as formas me ultrapassar. Com o trânsito bastante agitado do fim de tarde, não havia como dar passagem ao impaciente… Até chegar num ponto em que consegui colocar o carro de lado e permitir que ele seguisse seu caminho.

Ele passou por mim e soltou a frase: “Até que enfim, não?!”. E seguiu. Cortando outros carros. Momentos depois, eu passei por uma rua, onde vi o mesmo táxi encostado no recuo de uma loja. Seguindo o fluxo lento, dei a “sorte” de parar atrás do tal carro. E o taxista desceu do seu veículo, veio até a traseira do meu carro e fez fotos com o seu celular. E com a mão apontando para a cabeça disse: “Está marcado, hein?!”

Hoje tenho a placa do meu carro registrada no celular de alguém que não conheço, que nunca troquei meia dúzia de palavras e que apenas dei passagem no trânsito. Como costumo dizer, nem os animais, que agem por puro instinto, atacam sem motivo. O ser humano já chegou ao tal ponto. E a pergunta é: qual é o limite?

Não vou detalhar as características do táxi e nem do taxista, pois existem outras pessoas envolvidas nisso, como familiares – e como diz o velho ditado, não é bom cutucar a onça com vara curta. Também não fui à política, pois não confio nas pessoas (nem todas) que conduzem essa instituição. Mas fica o alerta para os riscos iminentes da convivência humana.  

Mesmo sem ter dado motivos, houve a ameaça. Fico imaginando as consequências se tivesse entrado em uma discussão com o cidadão em questão.

A sociedade está doente e os seres humanos não hesitam em agir – mais para o mal do que para o bem. Afinal, “matar não é difícil; complicado é achar respostas para o ato”. Como as consequências das atitudes tornaram-se meros detalhes, a prevenção ganha status de tesouro raro.
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