Ela bate recordes consecutivos de aprovação. Já deixou seus antecessores para trás quando se trata da avaliação positiva de seu comportamento enquanto presidenta da república. Dilma Rousseff parece mergulhada num mar azul – límpido e calmo. E parte dessa imagem intacta de sua figura está ligada ao seu comportamento pouco midiático, diferentemente, por exemplo, do seu padrinho político (Lula), mais explosivo e enfático nas aparições públicas.

De fato, se a próxima eleição presidencial fosse hoje, Dilma seria franca favorita à reeleição, com grandes chances de carimbar a vitória ainda no primeiro turno. No entanto, ainda falta um ano e meio para o início da campanha de 2014 e, para garantir mais quatro anos no poder, Dilma precisará iniciar as articulações políticas já em 2013.

O fato mais preocupante para a petista não está do outro lado do rio. A oposição já emplacou seu candidato: chama-se Aécio Neves. Figura conhecida no meio político, o mineiro tem seus pontos fortes e fracos bastante óbvios. O problema para Dilma pode vir da própria base aliada. Por lá, o nome também é conhecido, Eduardo Campos (PSB); mas sua força nacional ainda é uma incógnita – e isso preocupa o núcleo político do PT desde as eleições municipais de 2012, quando o PSB cresceu cerca de 50% no número de prefeituras conquistas no comparativo com 2008.

Amigo pessoal do ex-presidente Lula e “parceiro” de Dilma, Campos permitiu soltar as primeiras duras críticas ao governo federal no início do último dezembro. É apontado como uma possível terceira via forte para 2014, mas oficialmente indica que irá ao pleito presidencial apenas em 2018, quando espera contar com o apoio do PT. Para o estreitamento das relações política, Campos quer ser vice na chapa de Dilma daqui a dois anos, o que implicaria no declínio do PMDB do alto-escalão do governo.

Além dos pepinos políticos para descascar, Dilma precisa ainda dar sinais de que ampliará as reformas tributária e política e, em seu núcleo de governo, ministerial. Afinal, ela não tem a seu favor, como teve Lula, uma economia mundial fortalecida, que lhe permita liberar crédito para o consumo com tanta facilidade. No ritmo que se caminha, dentro em breve o estado de “bem-estar social” pelo qual passa a nova classe média perderá robustez. Assim como as pequenas reformas ministeriais que realiza a cada denúncia não serão mais vistas como uma atitude positiva. Situações essas que resultarão em impactos negativos na avaliação do governo.

Por um 2014 tranquilo, Dilma terá que permitir algumas sangrias em seu governo neste ano, principalmente no ninho dos aliados, onde precisará conter os guizos dos oportunistas. 

*Artigo publicado na edição de janeiro/fevereiro da Vitrine Revista.