O Supremo Tribunal Federal foi à mesa com as decisões das penas para os envolvidos no que ficou conhecido como “Mensalão”. Entre os condenados estão nomes conhecidos, entre eles o de José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e Marcos Valério. Revelado em 2005, o esquema de pagamento de agrados a deputados da base aliada para votações favoráveis ao governo foi ao STF após sete anos. E sai de lá conhecido como o maior julgamento do País.

Nesse trecho da história do Brasil alguns nomes saem equivocadamente pintados como heróis, como é o caso do ministro relator do processo, Joaquim Barbosa – hoje presidente da Corte. Sem outras formas de expressão, vivemos em tempos onde fazer o básico de suas obrigações configura-se como um diferencial – uma qualidade de pouco. Tempos tristes. Apurações de descrença.

O julgamento do “Mensalão” é um passo importante no caminho da consolidação de um país mais justo e menos desigual – inclusive em direitos legais básicos. Porém, é preciso se ter sensibilidade história para entender que a omissão e os esplendorosos jogos de cena de mentes brilhantes para o mal não permitiram que outros  esquemas fossem ao grande júri.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso entrou para os seus primeiros quatro anos no poder sem o direito à reeleição. No Legislativo, conseguiu a aprovação do sistema de reeleição que conhecemos hoje e foi o primeiro a se beneficiar do dito, reelegendo-se em 1997. Assim como o “Mensalão” era uma realidade difícil de ser negada antes mesmo do julgamento, é sabido também que houve compra de votos na aprovação da reeleição. E todos optaram pelo silêncio.

Os casos das privatizações na década de 90, que resultaram inclusive em um livro, “A privataria tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., nunca foram investigados. As sujas parcerias entre núcleos empresariais e políticos permitiram que os casos fossem levados ao limbo. E sempre pairou no ar o ensurdecedor silêncio.

O sentimento de justiça de hoje, após o julgamento do “Mensalão”, é mais intenso do que o da impunidade pelos casos do passado que nunca foram, ao menos, vasculhados. Que o “histórico” júri de 2012 marque a construção de uma nova história. Essa mais transparente e moral. E que no passado esteja a nossa certeza de que a limpeza ética poderia ter começado há muitos anos. 

* Coluna publica na Revista Vitrine