O 35º Festival Nacional de Teatro de Pindamonhangaba – Feste –, sim, está acontecendo. Sim, as peças têm apresentado bons números de público. Sim, o nível dos espetáculos está dentro do esperado. Sim, o formato sem premiação, apenas com os debates ao final de cada peça, também agrada.

Mas, não. Definitivamente, não. Não se preocupam mais com a dimensão histórica e as tradições de um dos maiores festivais de teatro do Estado de São Paulo. Não permitem que o Feste se realize dentro dos padrões estruturais que sua bagagem de importância exige. Não promovem o festival como deveriam promover. Não envolvem a população da cidade e da região como deveriam envolver. Não há presença de representantes do poder público nas noites de espetáculo – nem mesmo da Diretora de Cultura.

O Feste está largado aos bichos – literalmente. A estrutura (gigantesca, e apenas isso é capaz de dignificar a dimensão do festival) está instalada no Parque da Cidade. A estrada do parque em nada chama para um festival que acontece ali. Banheiro, bebedouro com água, praça de alimentação: não há (ou o que há, é precário). Enfim, a infra é precária. A população, para chegar até o ambiente da peça, precisa passar por cima de uma passarela mata-burro, pois o local alagou por conta da chuva.

No primeiro dia não havia nem mesmo água. Hoje há um pipoqueiro, que resolveu se arriscar na imensidão sem fim. E, sim, vendeu bem. Pois as pessoas precisam além de uma cadeira para sentar e acompanhar uma peça. Elas precisam de recepção, de alimentação, bebida…

O Feste sobrevive por ele só. Por sua história. O poder público há anos dá a estrutura por uma obrigação de calendário oficial. Mas não há vontade de promover cultura com qualidade.

Contrata-se, paga-se a terceiros – que ralam para garantir a realização do festival. E o poder público some.

Assim como o Feste está sumido na vasta imensidão do parque dos sonhos…