>>> Reta final da campanha foi decisiva para arrancada de Vito e derrocada de Paulo Sérgio Torino. Diferença de 18%, no entanto, pode ser encarada com espanto. E, no fim das contas, quem sai politicamente enfraquecido de 2012 é Pindamonhangaba


A derrota do Paulo Sérgio Torino neste último domingo (7 de outubro) começou a ganhar forma nos últimos dias. Alguns fatos sustentam que o clima na equipe do candidato do PMDB era de jogo encerrado antes mesmo de domingo chegar. 1. Uma pesquisa encomenda pela campanha de Torino não foi divulgada. 2. João Ribeiro procurou Carlinhos Casé para pedir que o petista retirasse a candidatura, já que poderia ser Casé o fiel da balança (fato que não se concretizou). 3. A expressão dos correligionários de Torino era de pouco otimismo na manhã de domingo.


Porém, mais do que esses fatores da reta final, a campanha de Torino sempre deu sinal de fadiga. Claro que, visualmente, o trabalho foi tão benfeito como o da reeleição de João Ribeiro, em 2008. Mas alguns pontos comprometeram. O primeiro deles foi a aliança de Torino com o partido do atual governo. A segunda gestão de JR ficou desgastada devido às denúncias de corrupção – em especial o caso Verdurama, que derrubou entre outros, o Secretário de Finanças Silvio Serrano.

O segundo erro foi a escolha de Myriam Alckmin como a candidata a vice-prefeita. Não há pesquisa para mensurarmos com clareza o índice de rejeição de Myriam. Mas, definitivamente, ele é alto. Ela perdeu na disputa direta para Vito, em 2010, quando os dois concorreram ao cargo de Deputado Estadual. Myriam também foi vaiada no carnaval deste ano. O discurso de que Myriam era importante por ser sobrinha do governador caiu por terra – afinal, qual “vantagem” Pinda levou com isso nos últimos quatro anos?

Dizer que Myriam está politicamente morta é um pouco arriscado – vide o próprio Vito, que saiu morto depois de 2008. Mas, definitivamente, vive uma fase de desgaste. Diante disso, tê-la na linha de frente da estrutura de campanha, acabou saindo como um tiro no pé. Mas Myriam foi apenas um grão (grande, de fato) em toda sequência de erro. Torino não vive vida pública. O Senai é uma instituição séria, definitivamente. Mas não é um palanque capaz de fazer votos para prefeito. Torino confiou na máquina Senai como carro-chefe. Errou.

Outra falha foi no discurso. Torino fez duras críticas ao atual governo em 2010. Tentou por diversas vezes se afastar da atual gestão, mesmo tendo ao seu lado a vice-prefeita de JR e o PPS. Chegou ao absurdo de dizer que quem representava o continuísmo era Vito. Sim, o tucano tem ao seu lado alguns nomes da administração pública, como o atual Secretário de Integração e Governo, Arthur Ferreira dos Santos. Mas não teve a máquina pública. Qualquer pensamento diferente disso é confirmar a força de Arthur. Afinal, ele se sustentou no atual governo, soube mexer os pauzinhos quando necessário, e vai seguir na administração. Claro que vai.

No mais dos erros, Torino tentou colocar goela baixo do povo seu discurso de que tem costas largas. Paulo Skaf tem sua força no meio industrial. Mas está longe de ser uma figura política capaz de eleger alguém. Michel Temer. Nossa, é o vice-presidente da república. Figura importante, sem dúvidas. Mas em Pinda quem quer saber de Temer? Torino não teve, ou talvez nem tenha, linha política.

Dizer que foi Torino quem perdeu e não Vito quem ganhou é um pouco exagerado. O tucano teve, sim, grandes méritos. Soube atacar as falhas do segundo governo de JR, foi mais efetivo no corpo a corpo, prática em que é mestre. Aos 71 anos, Vito volta ao poder em Pinda. Por 16 anos, sendo quatro como Secretário de Obras, Vito se perpetuou no poder. Com práticas assistencialistas e obras infraestruturais, soube administrar sua manutenção política.

O atual governo, refletido em Torino, conseguiu estabelecer um novo discurso político em Pinda – mostrar que era possível uma administração mais “impessoal”, sem perder no social. Porém, não mudaram a forma de atuação. E o interesse claro por ter a máquina pública nas mãos ficou evidente. Nesse embate do assistencialismo de choro no ombro e a impessoalidade fria e crua, ganhou a primeira opção.

Por isso, Pinda é quem perde nesta eleição. Independentemente de Vito fazer uma boa administração, Pinda sai politicamente enfraquecida. Sem uma liderança capaz de representar o novo. Carlinhos Casé seria um nome, mas com uma campanha de última hora e poucos recursos, não conseguiu se firmar como a terceira via. Pior para Pinda, que encontrou no passado a opção “menos pior” para o presente. Agora, fica a pergunta: o que será do futuro?