>>> Ateísmo não é moda. E quem é ateu está longe de ser um ser maligno. O verdadeiro ateu apenas direciona sua fé de outro modo. Talvez com uma carga de intensidade de dar inveja em muitos cristãos

Meses atrás, em conversa informal com um amigo, ouvi uma história que tem me encabulado a mente. Tirei algumas conclusões do pequeno relato que ouvi. Também senti surgirem outras dúvidas na minha cabeça. Mas, acima de tudo, vi renascer um sentimento de que o ser humano é capaz de crer. Mas estou falando de crença verdadeira. Ter fé forte. Não para contrariar ou reafirmar algum senso comum do mundo. Mas a fé pela fé. Pura, simples e natural como deve ser…

Tive que deixar o tempo passar para então escrever algo. Era preciso coragem. Talvez fé – essa, minha, mundana neste momento. Apenas a fé pela circunstância.

Resumidamente, a história percorria o seguinte enredo. Vale ressaltar – trata-se de uma história real. Hoje um rapaz crescido, um cidadão, brasileiro, passou a infância sofrendo com piadas na escola – o que agora conhecemos como bullying. Em casa, todas as noites, chorava e pedia a Deus para que aquelas brincadeiras parassem. E elas seguiram. Perpetuaram-se por todo período escolar.

Não “ouvido” por Deus, em sua concepção, o rapaz fez um trato: rompeu. Findou os laços que o uniram a Deus em todas as noites durante sua infância: a oração pura de criança. Sim, hoje ele tem fé de que não tem fé em Deus. Ele não crê que exista um Deus. E não é uma descrença artificial – apenas por achar diferente ser ateu. Em um determinado momento ele rompeu com um Deus. Do rompimento a não crença. E isso o faz hoje, verdadeiro. Ateu. E verdadeiro.

Sem dúvidas, a força com que esse rapaz não crê em Deus é mais forte do que a crença de muitos de que Ele exista. Não há, no sentido contrário, algo do tipo: “cadê Deus nessas horas?” Nem mesmo é preciso “banalizar” Deus em imagens de toneladas em redes sociais. Imagens por imagens. Sem crença verdadeira, em muitos casos.

A fé desse moço me incomoda, positivamente. Arrasta-me da zona de conforto e me faz questionar com qual intensidade creio em Deus. Sei que estou longe de não crer em uma força maior. Mas sinto que também estou distante de crer com a intensidade que gostaria. Uma intensidade natural bastava.

Talvez Deus esteja exigindo de mim a mesma fé que o “filho infiel” descarrega para não crer numa força divina. Quanto ao resto, sigo refletindo mais do que nunca.