No livro “O fim do Estado Nação”, Kenichi Ohmae remonta uma antiga e desgastada expressão: “a política é a arte do possível”. Palavras ditas ultrapassadas talvez pelo fato de que política, hoje, é também a arte da manipulação e da falta de interesse de se fazer, ao menos, o possível. Com mais de um mês de campanha em andamento, em Pindamonhangaba está difícil identificar propostas concretas e palpáveis. Mais: que tenham alguma ligação com os anseios de quem vive na cidade. Se é que ainda exista algum sonho…

Abro um parêntese antes de continuar na linha de raciocínio sobre o pleito de 2012. Não podemos esquecer que os políticos não são extraterrestres – apesar de muitas vezes ser essa a impressão que fica. Políticos são frutos do povo – numa avaliação generalizada e simplória. E, se hoje, Pinda apresenta um quadro pouco representativo de candidatos a prefeito é reflexo de uma estagnação da população por algo novo, legitimamente diferente. Caminhamos para uma inércia – se é que já não estamos – de uma política realmente voltada à cidade? Isso abriria um outro debate.

Voltando ao que podemos ver até aqui, pouco nos tem a apresentar os quatro candidatos ao executivo: Carlinhos Casé (PT), Gugu Mello (PSDC), Paulo Torino (PMDB) e Vito Ardito Lerário (PSDB). Em dois debates já realizados, ambos sem a presença de Vito, se falou muito – porém, sem fundamentações relevantes – de segurança e saúde pública. São temas essenciais, mas o debate precisava ser mais aprofundado. Afinal, não bastam mais postos de saúde, o fortalecimento da guarda municipal e intervenções junto ao governo estadual por melhorias na Política Militar. E como melhorar a gestão dos hospitais? Como capacitar médicos e guardas municipais para o atendimento público?

Enfim, os temas são mais amplos e os debates curtos, perto do muito que se tem para discutir. Então, render tempo falando sobre “ficha limpa”, “acordões partidários”, “o que se fez ou não no passado” só pode ser reflexo da falta de propostas objetivas ou da incapacidade de se focar no que a cidade precisa daqui para frente. Espera-se mais argumentações sobre educação, cultura, turismo, investimentos, sustentabilidade… O nível do debate precisa ser elevado.

Ainda assim, é preciso se atentar aos detalhes dos discursos. Vale ressaltar que uma administração de qualidade não pode estar pautada no apadrinhamento de um grupo forte de empresários. Muito menos no grau de parentesco entre os políticos das esferas municipal e estadual. Eleitos pelo povo, ao povo devem responder. E isso se faz com projetos assertivos, foco no desenvolvimento e visão social.  
*Artigo publicado na Vitrine Revista de setembro.