>>> O tucanato optou pela mesma estratégia do PT em 2008 e, até aqui, os caminhos escolhidos parecem errôneos. Há 4 anos, o partido vermelho apostou no nome de Marta Suplicy, e não conseguiu bater Kassab. Hoje, o PSDB joga o ultrapassado José Serra na rinha e agora está sem rumo
Em 2008, depois de despontar como um dos favoritos no início do período eleitoral, Geraldo Alckmin se viu fora da disputa do segundo turno na briga pela cadeira do executivo em São Paulo. Foram ao embate final: Marta Suplicy, do PT, e Gilberto Kassab – então no DEM. O segundo saiu vitorioso, com um primeiro meio-mandato bem avaliado.
Quatro anos depois, o PSDB volta a sentir sua fadiga na capital. Apesar de ainda manter o poder no Estado, o tucanato parece não ser mais uma opção de peso na metrópole – ou talvez nunca tenha sido. Sem um nome novo, capaz de “revitaminar” o partido, o cenário caminha novamente para uma derrota anunciada.
José Serra segurou sua vontade de ser candidato. Entrou aos 45 minutos do segundo tempo. Desmantelou as prévias tucanas – apenas José Anibal manteve o nome à prova. Perdeu (feio) na disputa interna. Serra, então, estava oficialmente declarado candidato do PSDB. Começou nas pesquisas eleitorais, dois meses atrás, roçando a casa dos 35% de votos.
Como naturalmente acontece com quem começa registrando altos índices, Serra despencou. Porém, segundo avaliações internas do PSDB, e mesmo do PT, Serra perdeu mais terreno do que o esperado. Hoje, segundo as pesquisas DataFolha e Ibope desta semana, Serra amealha algo entre 22% e 20%, respectivamente. As duas têm margens de erro de 3%.
No mesmo período em que despenca em queda livre, Serra vê Celso Russumano, com o pequeno PRB, se firmar na liderança. Russumano chega à casa que José registrara meses atrás: 31% nas duas pesquisas.
Apesar do pouco tempo de televisão e rádio, Russumano tem três pontos jogando a seu favor: 1. É conhecido em São Paulo, devido ao trabalho que faz na TV, com boa entrada nas camadas médias e baixas da população (dificuldade enfrentada por Serra e, até aqui, por Fernando Haddad); 2. Celso está fora do eixo de embate que envolve PT e PSDB, fazendo o famoso jogo de correr por fora; 3. Por ser pouco “calejado” na política, tem baixo índice de rejeição (15%), contra 43% de Serra e 21% de Haddad.
Com Russumano consolidando-se na frente, Serra agora passa a olhar no retrovisor. Observa uma aproximação perigosa de Haddad, que enfim chegou aos dois dígitos, com 14% registrados no DataFolha e 16% no Ibope. Pelos dados do segundo instituto, Serra e Haddad já estão tecnicamente empatados.
Tradicionalmente, o PT roça a casa dos 30% em eleições municipais de São Paulo. Porém, Haddad enfrenta um problema: na medida em que se torna mais conhecido, o seu índice de rejeição também aumenta. Chegou aos 21% – superando Russumano. Há uma camada anti-petismo que explica tal crescimento. Porém, Haddad terá um combustível importante nesta reta final do primeiro turno: chama-se Marta Suplicy. Apesar de derrotada em 2008, Marta tem boa entrada nas periferias da cidade, onde Haddad ainda não fez seu nome. Marta deverá ajudar bastante. Lula, mais do que nunca, motivado pelas últimas pesquisas, deverá debruçar-se sobre seu afilhado.
2008 e 2012
Se compararmos as pesquisas dos institutos DataFolha e Ibope, no mesmo período em 2008, veremos algumas semelhanças. Em 29 de agosto, o Ibope fechou seus números, trazendo Marta na frente com 39%, contra 22% de Alckmin e apenas 12% de Kassab. No mesmo dia, o DataFolha trouxe: Marta, 39%; Alckmin, 24%; e Kassab, 16%.
Nos últimos dias, o Ibope apresentou o seguinte cenário: Russomano com 31%, seguido de Serra 20% e Haddad com 16%. O DataFolha, aponta Russumano com os mesmos 31%, Serra com 22% e Haddad com 14%.
Chegando à apuração do primeiro turno em São Pulo em 2008, Kassab, que iniciava um crescimento no final de agosto, assim como acontece hoje com Haddad, acabou vencendo com 33% dos votos. Marta veio em segundo, com 32% – ela que sempre manteve-se dentro da margem dos 30% – assim como acontece hoje com Russumano. Pior para Serra, que vê um cenário bem semelhante ao de Alckmin. No final de agosto de 2008 Geraldo aproximava-se dos 20%, e acabou fechando o primeiro turno com 22%. Serra hoje já registra 20% no Ibope e pode observar sua campanha tomando os mesmos rumos do companheiro de partido.
Há, no entanto, uma grande diferença interna no PSDB de 2008 para o de 2012. Quatro atrás, uma grande parcela do partido, principalmente a corrente Serrista, apoiava a reeleição de Kassab, deixando Alckmin remar sozinho em muitos momentos. Hoje, sem muita alternativa, o tucanato abraça quase que como um todo a causa de Serra.