>>> Renata Ceribelli foi à residência da ex-primeira-dama, que está separada de Fernando Collor há sete anos. As duas tricotaram meia dúzia de palavras e a edição do Fantástico cuidou de complementar a pseudoentrevista com imagens das eleições de 1989 e o impeachment em 1992. O bate-papo, em si, não teve nem pé, nem cabeça; e não trouxe nada além das informações que os brasileiros já estão carecas de saber. Agora, antes da publicação de seu livro, talvez Rosane altere algumas dúzias de parágrafos. tudo em nome do Senhor! 


Rituais de magia negra na Casa da Dinda. Influências do tesoureiro PC Farias no governo Collor. E assédios ao casal mais jovem quando na condição de presidente e primeira-dama do Brasil. As palavras levadas por Rosane Collor ao horário nobre da Rede Globo na noite do último domingo pouco refletem em novidades. A ex-primeira-dama apontou fatos conhecidos da história recente da política nacional e os motivos que levaram Rosane ao Fantástico ficaram pouco claros.

Há uma argumentação temporal, já que o impeachment de Fernando Collor de Melo completa 20 anos em 2012. Porém, nada que justifique a entrevista – que mais teve cara de reportagem – como a última atração do programa dominical. Mais do que isso: ser amplamente divulgada ao longo da semana como se Rosane fosse lançar aos ares novas evidências.

Renata Ceribelli foi superficial nas perguntas que fez. Rosane também sobrevoou os assuntos. Confirmou que diversos rituais de magia negra foram praticados nos porões da Casa da Dinda. O assunto é de conhecimento público – apesar de não confirmado oficialmente. Rosane também apontou que PC Farias tinha influência no governo de seu ex-marido. Onde está a novidade?

Em grande parte da entrevista-reportagem, a Rede Globo tratou de remontar – ao seu modo – os anos de 1989 a 1992. Ciscou também por 1996, quando citou a morte de PC Farias, abrindo espaço para Rosane defender (em uma atitude que revela a evolução da espécie) seu ex-marido – hoje desafeto: “Ele não teve envolvimento com a morte de PC.” Quando falou das eleições de 89, a Globo parecia voltar no tempo, quando abraçou a causa Collor. Relembrou que o ex-mandatário foi eleito com o discurso de que derrubaria os marajás do poder. Mais uma vez, a poderosa da comunição omitiu sua participação no processo eleitoral daquele ano.

Por fim, Rosane tratou de dizer que acha pouca a pensão alimentícia que recebe de Collor – algo na casa de 18 mil reais. Disse ter amigas que nem são ex-mulheres de “senadores” e recebem pensões que giram em torno de 40 mil reais. Hum! Tema interessante.

Agora, Rosane deve se concentrar na produção do livro que conta sua trajetória como primeira-dama. À Renata, disse que as histórias que têm para contar geram temor em algumas pessoas, entre elas Fernando Collor. Talvez despertaram o interesse de alguma grande organização de comunicação. A Rede Globo antecipou-se à conclusão do pergaminho e tratou de garantir vitrine à Rosane. Quem sabe ela altere algumas dúzias de parágrafos antes de publicar o “repasto” de letras. Tudo em nome do Senhor!