>>> Temos um Brasil original. Culturalmente multifacetado. Hoje não há morro sem asfalto. Não há asfalto sem morro. Além de tudo, “delícia-delícia”, derretemos a neve no velho continente. Somos um Brasil menos poluído de “Z”. Pequena Notável, com todo respeito, há alguns anos o “Brazil deixou de matar o Brasil”.


O petismo se rendeu ao capitalismo. Selvagem. Banqueiros nunca lucraram tanto com nos últimos anos. Nunca se produziu e consumiu como agora. O futuro está abaixo do nível do mar, da camada do pré-sal. Novas tecnologias. Mais investimento. Dinheiro. Bussiness. Grana. Não o petismo. Não o Brasil. O mundo globalizado se entregou ao capitalismo – com raríssimas e controversas exceções. Esse mesmo mundo também se arriscou na tentativa de moldar o sistema – alguns países com mais eficácia, outros menos.

Agora, o assunto da moda é crise econômica. Apenas nos últimos cinco anos foram duas: uma iniciada nos EUA e, a mais recente, resultado das precárias medidas adotadas pelos países europeus. Porém, mais do que uma desestrutura financeira, o mundo enfrenta mesmo uma crise de identidade. Não se sabe mais qual o papel do Estado em relação à sociedade. E essa não sabe qual sua função no sistema. Ambas estruturas pressionadas por esse conglomerado financeiro desordenado. Filhote do capitalismo. Hoje, Estado e economia batem cabeça. O primeiro tende a recuar. E os reflexos maiores atingem a camada que mais se inferiorizou ao longo da história: justamente a sociedade. Não se mede mais força de igual para igual.

Como dito acima, alguns países souberam melhor (se) adaptar (ao) o capitalismo. O Brasil é um deles. Sim, os banqueiros lucram. Sim, as concessionárias vendem como nunca. Sim, a poupança rende menos, para a taxa Selic cair mais. Sim, sim e sim… Sim para tanta coisa. Mas por que resistir em dizer “sim” para o lado bom? Afinal, acreditamos no “sim” das coisas negativas; e insistimos em duvidar do “sim” do que é positivo. Pois bem, não há menos brasileiros na zona de miséria? Não há uma melhor (ainda que insuficiente) distribuição de renda? Não há um avanço (ainda que limitado)  em infraestrutura? Há, há e há…

Deixando a questão econômica de lado, o que há hoje de mais relevante no Brasil é uma nova abertura cultural. O rap não é marginal. E o clássico não é brinde de um grupo seleto. Rap está para o seu público (variado, diga-se), assim como a música clássica está para quem gosta de ouvir esse estilo (também um público variado). Há baile funk nos morros cariocas. Também há na zona sul. Há roda de samba no terreiro da Vó Maria, em Madureira. Há pandeiro em grandes mansões. Afinal, samba é oração. Samba faz o bem.  

Hoje a MPB não tem classe social. O tecnobrega muito menos. O sertanejo universitário balança o Brasil. Sacode o mundo. Hoje vai ao teatro quem quer ver uma boa história. Para na praça quem quer apreciar uma apresentação de maracatu. Enfim, cultura é isso. Do povo para o povo. “Cabe ao Estado ser um ‘facilitador’ e permitir que a cultura se expresse por si”, diz o diretor de teatro, Ademir Carlos Pereira. Hoje axé é baiano, paulista, mineiro… O funk é carioca, gaúcho, pernambucano.

O Brasil ainda tem muito o que avançar no desenvolvimento cultural, em especial algumas regiões, mas hoje podemos aplaudir um país diversificado. Temos um Brasil original. Culturalmente multifacetado. Afinal, “delícia, delícia”, invadimos o continente europeu com nosso calor. Derretemos a neve no velho continente. Somos um Brasil menos poluído de “Z”. Elis, com todo respeito, há alguns anos o “Brazil deixou de matar o Brasil”.

Nos tornamos inimigos pacíficos do capitalismo. Não gostamos dele. Ele gosta de nós, obviamente. Mas não nos detona como queria. Nos deu base econômica para evoluirmos no mundo. Internamente, aos poucos, vamos fixando nossa (des) identidade. Para um país tão diverso, o negócio é trabalhar por uma nação cada vez com menos igualdade cultural.