>>> Em entrevista ao blog “Papo Sem Censura”, presidente do PT de Pinda conta como aconteceu o rompimento com o PMDB e confirma que o partido entregará os cargos na administração João Ribeiro

No último final de semana, o PT dormiu como base de apoio ao projeto de Torino em 2012 e acordou para a primeira semana de junho fora da chapa. No domingo, em reunião secreta, o PMDB acertou a entrada do PPS na chapa – garantindo ao partido do prefeito João Ribeiro a posição de vice de Torino. O posto estava nas mãos do PT, até então.

Situação discutida há meses, a entrada do PPS na pré-campanha de Torino ganhou forças nos últimas semanas – na mesma proporção que Myriam Alckmin perdeu forças políticas em seu projeto para ser candidata. O PPS arrasta para dentro da chapa do PMDB um consórcio com mais dois partidos: PSB e DEM. (clique aqui e relembrea entrada desses dois partidos no projeto do PPS, ainda em 2011)

Com um processo interno em andamento, que definiria o nome do vice de Torino, o PT agora encontra-se numa nova situação. Precisa definir os novos rumos. E há pouco tempo para isso. O blog “Papo Sem Censura” ouviu a presidente do PT, Sivanilde Kogempa, que esclareceu os próximos passos.

Blog: Como se deu esse rompimento com o PMDB?
Sivanilde Kogempa:
Depois de receber muitos telefones dos profissionais da imprensa, eu fui atrás dele (Torino) no domingo à noite. Ele não atendia o telefone. Entrei em contato com o Alexandre Faria (vereador do PT), que tentou contato com o Torino por telefone; não conseguiu, e foi até a casa dele. Então, eu também fui à residência do Torino e conversamos no final do domingo, até a madrugada de segunda, e ele confirmou que tinha tomado a decisão de optar pela Myriam (Alckmin).  Nós tínhamos uma reunião na segunda, já agendada, em que a ideia era dar mais tranquilidade pra o Torino sobre a escolha do vice.  Ele não esperou e tomou essa decisão de fechar com o PPS.

Blog: Existia um processo aberto dentro do PT para a definição do vice de Torino. Esse nome seria decidido no dia 9? Existia uma tendência?
SK:
Havia uma disputa interna (no PT) de quatro nomes. O nome que saísse no sábado teria que ser aceito. Estava quase consolidado o processo.

Blog: Há uma conjuntura federal para que o PT esteja ao lado de seus “tradicionais” aliados também nos municípios – ao mesmo tempo que impede aliança em chapas encabeçadas por PPS, DEM e PSDB. O rompimento com o PMDB aconteceu de forma natural?
SK: O
rompimento é resultado do 4° congresso e do encontro do PT, onde ficou decidido que não seriam apoiadas as chapas que estivessem em suas cabeças o PSDB, DEM e PPS. Ele (Torino) sabia dessa resolução. Então quem rompeu foi ele.

Blog: A decisão do Torino em fechar com a Myriam surpreendeu vocês?
SK:
Jogaram um balde de água fria na gente. Depois disso, abrimos até uma nova data para a convenção municipal. Havia uma construção de quase um ano nesse projeto com o PMDB. Diante do quadro municipal, entre o PT lançar uma candidatura própria, e evitar a volta do PSDB, optamos pelo apoio ao Torino. O PT está governando o Brasil pela terceira vez e tem um compromisso com o País. É o partido de maior preferência da população. Foi uma surpresa ele (Torino) trocar o PT pelo PPS. O maior projeto do PT este ano é o estado de São Paulo – o calcanhar de Aquiles do PT. 

Blog: Os rumos para 2012 parecem limitados: lançar candidatura próxima, se aproximar das outras pré-candidaturas, de Isael Domingues ou Gugu Mello, ou não ter candidato a prefeito. Há alguma ideia do que o partido deverá fazer?
SK:
Na reunião de segunda, além de declararmos a saída da chapa do PMDB, abriu-se a possibilidade de uma candidatura própria. Vai haver um apoio da estadual e da federal – voltados para Pinda. Nós queremos apresentar uma real terceira via para Pindamonhangaba. O PT aposta num projeto – numa proposta de governo. Levar e apresentar para o povo de Pinda. O PT é bom de governo – veja o que tem feito no federal. Queremos debater isso com a população de Pinda.

Blog: Nos últimos quatro anos o PT esteve com uma presença forte em Moreira César – por meio da subprefeitura. Você acha que o partido errou em não fortalecer um nome nos últimos anos para uma candidatura própria agora?
SK:
Você está errado na sua avaliação! Em 2004 fizemos dois vereadores, que se retiraram depois que tomarem posse. Optamos pelo apoio ao prefeito (João Ribeiro) em 2008, também com o objetivo de não deixar voltar o PSDB. Na última hora ele também nos tirou a posição de vice. Na época aceitamos a condição e optamos por ficar com a subprefeitura. Ela (a subprefeitura) é um espaço muito forte na prefeitura de Pinda, onde poderíamos continuar dando destaque a algumas lideranças do PT, como o Casé, que foi bem votado para vereador, mas o partido não conseguiu um coeficiente eleitoral. O PT não recuou nesses últimos anos, pode não ter tido o destaque de que merecia, até por que não deixaram. Hoje o PT tem um quadro de gestão – de experiência. Temos construído vários nomes nos últimos anos. É o projeto do partido que será discutido e debatido com a população. Olha o que a presidente Dilma tem feito. O PT sabe governar, com orçamento participativo, construído junto com a população. Tenho certeza que o povo de Pinda receberá o PT com carinho.

Blog: Como fica o PT na composição atual com o PPS: o partido deixa o governo João Ribeiro?
SK:
O compromisso em 2008 valia até dezembro de 2012. Baseado nos fatos que estão ocorrendo, nós comunicaremos ao prefeito as decisões do PT sobre os cargos. O PT vai ter que tomar uma posição e com certeza fará a entrega dos cargos.

Blog : O PT não foi reconhecido pela atual administração?
SK:
Se foi reconhecido, não foi pelo administrador. A sociedade reconhece o trabalho feito, mas o prefeito não. Desde que o Casé deixou a subprefeitura, até agora o prefeito não nos encontrou par definirmos um nome substituto. A subprefeitura está abandonada. Isso ficou muito ruim para a imagem do PT. Se ele tivesse reconhecimento ao PT, ele teria feito a substituição imediata. A população reconhece que, hoje, Moreira é um distrito muito melhor. Colocamos formas de atendimento que não haviam antes disso. O distrito está mais limpo, recebeu o cata-treco, obras estruturais. Coisas feitas pelo olhar petista. Havia um orçamento restrito e muitas questões ficaram engessadas nas secretarias. Temos que reforçar que na prefeitura o João (Ribeiro) não era sozinho. Haviam 15 partidos. Mesmo que ele tivesse vontade de deixar o PT trabalhar mais, havia uma conjuntura iterna que não permitia. Fizemos muito, com pouco. Foi um trabalho com ética. Respeito, ética e transparência. E o João não olhou da forma como deveria olhar quando o Casé se afastou. O PT trouxe o Lula para apoiar a candidatura dele em 2008, esteve do lado dele quando ele enfrentou a crise de corrupção no governo – o PT não o abandonou.

Blog: Lançando candidatura própria, o PT terá partidos de apoio?
SK: 
Vamos fazer outra discussão amanhã (quinta-feira, dia 7). Vamos abrir um canal de diálogo com os partidos da base aliada no federal. Estamos abertos a alianças, com partidos que queiram compor com o PT.

Blog: Como está o processo do PSB que pede a cadeira do Alexandre Faria na Câmara?
SK:
Se sair alguma deliberação da justiça, vai estar em final de mandato. Ele é candidato à reeleição. Isso não ira implicar em mais nada. Temos que aguardar.

Blog: O encontro de sábado, quando seria definido o vice do Torino, está mantido?
SK:
Sim. Será pra a aprovação da chapa de vereadores. O encontro é sábado, das 9h às 17h, e será aberto com uma plenária de discussão. Somos corajosos, temos projetos e o povo do nosso lado.