>>>  O blog “Papo Sem Censura” faz uma breve análise e aponta os três pontos fortes e os três fracos dos cinco pré-candidatos a prefeito em Pindamonhangaba

Estamos quase na metade de maio e, pelo histórico em ano eleitoral, até por conta do calendário de atividades, em junho deveremos ter definições quanto as chapas e os verdadeiros candidatos aos cargos de vereador e prefeito nos municípios brasileiros.

Em Pinda, até segunda ordem, serão cinco candidatados ao posto de chefe do executivo. Apesar dos rumores que indicam aproximação entre alguns nomes até o início da campanha, a cidade teria hoje na disputa: Gugu Mello (PSDC), Isael Domingues (PV), Myriam Alckmin (PPS), Paulo Sérgio Torino (PMDB) e Vito Ardito Lerário (PSDB).

Em cima desse cenário, o blog “Papo Sem Censura” levantou os pontos fortes e fracos de cada um dos cinco nomes. Nas próximas linhas, os detalhes:

Gugu Mello

Pontos fortes:

ü  Disposição. Em suas campanhas para vereador, mostrou não ter medo de enfrentar as ruas. Percorreu os bairros, falou cara a cara com as pessoas e buscou voto na mais tradicional ferramenta de publicidade: o boca a boca.
ü  Criatividade. Quem encerra as atividades de um estabelecimento comercial com a frase “Passo o ponto. Cansei de trabalhar”, sem dúvidas é uma pessoa munida de muita criatividade. Em 2008, quando foi candidato a vereador, Gugu adotou uma bicicleta para percorrer os bairros. Na disputa para prefeito, promete um ônibus. Será o “Bondão do Gugu”, que irá aos bairros – lotado de pessoas, parando nos bares e nas praças para a realização de breves comícios.
ü  Independência. Sem “rabo preso” com nenhum partido, organização ou tradicionais famílias da cidade, Gugu pode apostar em uma campanha ousada no que diz respeito aos projetos apresentados. Nada o impende de sonhar com o tudo…

Pontos fracos:

ü  Falta de confiança. Esse ponto fraco vem na direção do eleitorado para o candidato. Por seu jeito despojado, Gugu não consegue transformar seu discurso em algo “sério”. Para alguns, Gugu será o Plínio Sampaio de Pinda – entrará para fazer barulho na campanha. Ou seja, fazer o discurso que nenhum dos outros candidatos pode fazer, devido aos amarres políticos.
ü  Falta de apoio. Apesar da “independência”, citada como ponto forte, ser uma arma para uma campanha mais “verdadeira”, Gugu sofre com a falta apoio de alguns setores importantes, como o comércio e a indústria, para conseguir um bom resultados nas urnas.
ü  Base política. Diferentemente de seus adversários, que têm por trás grandes partidos e deverão formar grandes coligações, Gugu fará uma campanha solitária com seu PSDC, o que dificultará os trabalhos – inclusive no fator financeiro.

Isael Domingues

Pontos fortes:

ü  Juventude. Segundo mais votado para vereador em 2008, o então desconhecido Isael Domingues ganhou muito espaço no meio político em quatro anos – muito por conta de ser encarado como uma força jovem que o município não via há anos. Sangue novo no Legislativo da cidade.
ü  Boa oratória. Boa pinta, ao melhor estilo Collor de 1989, Isael tem um fator favorável e indispensável na política: bom discurso. Preparado, sabe argumentar e fazer valer suas posições em público.
ü Disposição. Assim como Gugu Mello, Isael também não tem medo das ruas. Vai aos bairros, incluindo sábados e domingos, e sabe fazer seu nome. Isso ficou claro na campanha popular que fez pelo projeto da Ficha Limpa Municipal.

Pontos fracos:

ü  Insegurança. Segundo pessoas dos bastidores da política, Isael demora para tomar decisões e tem como característica ouvir muitas opiniões, inclusive em assuntos que deveria ser mais enfático. Isso muito deve estar ligado ao pouco tempo na política.
ü Verba. Isael já ouviu do deputado Estadual Padre Afonso Lobato, que do PV, se vier, será pouco dinheiro. Por isso, a campanha deverá ser limitada em recursos financeiros. Juntamente com sua equipe, terá que ser criativo.
ü Inexperiência. Em sua primeira candidatura para prefeito, se não for bem orientado por algum profissional de bagagem política, capaz de observar os pontos de oscilação da opinião pública durante a campanha, terá dificuldades para se sobressair no embate com as estruturas partidárias de Myriam, Torino e Vito.

Myriam Alckmin

Pontos fortes:

ü  Mulher. O crescimento da participação feminina na política é algo cada vez mais claro. Com a vitória de Dilma Rousseff e um governo até aqui avaliado positivamente, a capacidade da mulher em administrar acaba ganhando força. A presença de Myriam ao lado de João Ribeiro foi um dos grandes diferenciais na campanha vitoriosa do PPS em 2008
ü  Estrutura. Myriam tentará contar com as benfeitorias da prefeitura nos últimos anos. Também tem como seu principal padrinho o governador do Estado, Geraldo Alckmin. Com isso, poderá ter muito apoio do tio, mesmo que não oficial, pelo fato de Geraldo ser do PSDB – partido de Vito. Porém, nos bastidores, Geraldo pode fazer diferença.
ü  Experiência. Como passagem pelo setor industrial, pela Câmara de Vereadores e, mais recentemente, pela prefeitura, Myriam traz uma grande bagagem para apresentar durante a campanha. Se souber fazer valer, esse será o grande diferencial a ser vendido. Myriam, como se viu em 2008, cresce em palanque. 

Pontos fracos:

ü  Crise política. Os casos de corrupção que marcaram a segunda gestão de João Ribeiro, especialmente o caso Verdurama, poderão comprometer os caminhos de Myriam. Além disso, durante a campanha eleitoral, o nome de Paulo Ribeiro, cunhado de Geraldo Alckmin, voltará ao cenário numa tentativa de resgatar a crise recolocar o nome Alckmin novamente na roda das denúncias.
ü  Popularidade. Pouco adapta aos trabalhos de rua, Myriam tem pouca entrada em camadas mais simples da sociedade. Mais uma vez, por conta da crise política dos últimos anos, já sentiu a reação pública em alguns eventos, como no carnaval, quando foi vaiada.
ü  2010. A derrota direta para Vito Ardito na disputa para Deputado Estadual, há dois anos, “desvitaminou” o nome de Myriam. Na tentativa de dar os primeiros sinais de enfrentamento com o cacique tucano, Myriam acabou atirando no próprio pé e iniciou um ciclo negativo para fortalecer sua candidatura em 2012.

Paulo Sérgio Torino

Pontos fortes:

ü Padrinho. A campanha de Torino em Pinda contará com o apoio do presidente da FIESP, Paulo Skaf. Depois de minar a candidatura de Torino em 2008, para favorecer João Ribeiro, Skaf agora depositará fichas no nome de seu pupilo.
ü  Senai. Por meio dos últimos programas federais de incentivo ao ensino técnico, as escolas do Senai ganharam muita visibilidade nas comunidades onde estão inseridas. Como diretor da instituição e trabalhando com o nome “Torino do Senai”, o candidato poderá fazer valer da “boa avaliação” que a comunidade faz sobre a instituição.
ü  Estrutura federal. No PMDB, Torino conta com o apoio do vice-presidente da república, Michel Temer, e, por conta disso, terá uma frente partidária bastante interessante. Deverá ter o PT ao seu lado, inclusive na condição de vice na chapa.

Pontos fracos:

ü  Ficha limpa. Com as contas da campanha de 2010 ainda não aprovadas, quando saiu para deputado federal, Torino arrastará o fardo durante toda a campanha de que enfrentará problemas de governabilidade por problemas judiciais. Terá que provar por meio de uma campanha forte que não tem riscos de ser barrado pela justiça.
ü Elitizado. Apesar do esforço que faz para se aproximar das camadas mais simples da sociedade por meio do Senai, Torino transmite a imagem de candidato da elite, dos grandes empresários e comerciantes. Com uma campanha muito elitizada, terá problemas para se eleger.
ü  Falta de identidade política. Eleito em 2000 para vereador pelo PFL, Torino manteve-se no partido até 2009, quando transferiu-se para PSB, seguindo Paulo Skaf. Pelo partido, foi candidato a deputado federal em 2010. Este ano, sai para prefeito pelo PMDB. A dança das cadeiras frequente não é nada positiva para a imagem do candidato.

Vito Ardito Lerário

Pontos fortes:

ü  Número de candidatos. Em contas rápidas, quanto mais candidatos na disputa, melhor para Vito, que conta com um bom número de votos fiéis (veja abaixo). Com a divisão de votos em um bom número de candidatos, as chances de vitória de Vito aumentam.
ü  Atual gestão. Os casos de corrupção que marcam a segunda gestão de João Ribeiro serão ingredientes de peso na campanha de Vito. A falta de cumprimento das grandes promessas, como o rebaixamento da linha e a pista de ski, também terão peso favorável para Vito.
ü  Votos fiéis. O tempo em que esteve no poder, Vito construiu uma base eleitoral bastante interessante. Naturalmente, o tucano parte para uma disputa municipal com 23, 25 mil votos garantidos – diferentemente dos adversários. Em 2012, isso poderá ser um diferencial.

Pontos fracos:

ü  Resistência. Apesar da boa entrada que tem nas camadas mais simples, Vito ainda sofre resistência em alguns setores, principalmente na classe média. Isso foi claramente identificado na disputa de 2008. Vito ainda é tido como um candidato de visão retrógrada.
ü  Ficha Limpa. Assim como Torino, viverá com o fantasma da Lei da Ficha Limpa no cangote. Terá que saber administrar isso.
ü  Otimismo exagerado. Em 2008, a onda do “já ganhou” tomou conta da campanha de Vito. Segundo pessoas próximas ao tucano, em um determinado momento da campanha algumas pessoas chegaram a encostar o corpo, tão certa era a vitória. Esse sentimento de “vitória certa” vai novamente surgindo, mesmo antes do início da disputa. Se não aprenderam com os erros do passado, o problema poderá se repetir.