Em uma semana, Chico Anysio e Millôr Fernandes provaram que os brasileiros não deixaram de ser mais ou menos inteligente por conta da Luiza

Assim como as redes sociais se consolidaram como um dos mais significativos booms da internet, algo que talvez se assemelhe apenas à difusão da própria rede mundial, os temas discutidos, curtidos e compartilhados via Facebook e Twitter – em especial esses dois – também surgem como avalanches. Assim aconteceu com o caso da Luiza do Canadá, a grávida e o Batman de Taubaté, a belíssima interpretação de “Para nossa Alegria”. E por ai vai…

O primeiro caso, especificamente, foi um marco dos momentos de bobagem que todo e qualquer ser humano deveria se dar ao luxo de vivenciar. De classe média (como alguns), e “anônima” (como muitos), Luiza virou uma pseudocelebridade. Voltou do Canadá com status de estrela de cinema, foi recepcionada por populares e imprensa, tirou fotos, deu autógrafos. Resumiu a história toda dizendo que não estava entendendo nada.

Na mesma proporção que muitos se deram ao direito de embarcar por duas semanas (talvez um pouco mais) na arte da risada fácil, provinda do humor mundano e simplório, alguns optaram, num primeiro momento, ao silêncio. Passada a maré do falatório, onde pouco se absorve dentro do muito que se balbucia, a frase que marcou o desfecho da história foi: “A Luiza já voltou do Canadá. E nós já fomos mais inteligentes…”

As palavras partiram do jornalista e âncora do SBT, Carlos Nascimento. Confesso que, num primeiro momento, incorporei-as como verdade absoluta. Naquele momento, Carlos era para mim um daqueles gênios, capazes de encerrar um assunto mostrando que há uma outra forma de olharmos para o mundo – para um fato.

Porém, logo esse efeito de admiração passou. Afinal, não trocaria os cinco minutos de bobeiras diárias que vivi por conta da Luiza, pela conclusão “soberba” de Nascimento (como passei a considerar “tal” afirmação).

Até por que, gênio mesmo é aquele que não trocaria por nada a chance de ser imortalizado apenas como ser humano. Talvez optasse pela “não imortalidade”.

Gênios mesmo são Chico Anysio e Millôr Fernandes que, em uma semana, arrastaram para um “adeus final” brasileiros das mais diferentes camadas sociais. Gênios mesmo são Anysio e Fernanades, que movimentaram as redes sociais assim como fez Luiza. Gênios mesmo são Chico e Millôr que, até no momento da partida, fizeram questão de reforçar que nós, brasileiros, somos mais do que o “caso Luiza” e a nossa inteligência só será medida na régua dos céticos.