Na capital do Estado de São Paulo, até o fim de fevereiro, o PSDB tinha em sua prévia para as eleições de 2012 quatro pré-candidatos: Bruno Covas, José Aníbal, Ricardo Tripoli e Andrea Matarazzo. Na questão de disputa pela prefeitura, quatro novidades.

Passou metade de fevereiro e o tucanato desembarcou em março com três pré-candidatos. Saíram de cena Bruno e Andrea e entrou José Serra. Anibal e Tripoli batem os pés pela manutenção das prévias (agendas para o dia 25 de março). Nos holofotes, Serra defende o embate interno. Nos bastidores, trata de contê-lo. Articula para ser o candidato do partido, sem precisar passar pelo desgaste da disputa em seu próprio ninho.

Mas, se, em São Paulo – tanto na capital como no governo do estado – , o PSDB se transformou em um partido de apenas dois nomes (Serra e Geraldo Alckmin), em Pindamonhangaba a situação é ainda mais crítica. Desde o final dos anos 80, quando Vito Artido Lerário foi eleito pela primeira vez prefeito da cidade, em 88, seu nome nunca esteve fora da política municipal. No site local do tucanato, o nome de Assis Vieira Filho “Chesco” nem aparece no link “O jeito tucano de governar Pindamonhangaba”, mesmo tendo sido prefeito de 1992 a 1996. O nome de Vito aparece em duas oportunidades, sendo uma em negrito.

Então secretário de Obras de Vito, Chesco foi eleito em 92 e esteve no comando da prefeitura por quatro anos – mas com “chefe” sempre por perto. Em 1996, Vito foi novamente eleito prefeito e, com a reeleição já em vigor, conseguiu nova vitória em 2000. Após deixar a prefeitura no final de 2004, sem fazer sucessor, já que a vitória ficou com seu ex-companheiro tucano João Ribeiro, já no PPS, era hora de mudança.

Estava lançada a chance de dar asas às novas lideranças, como o ex-vereador Alexandre Pió. Mas, o manda-chuva tucano seguiu no poder do partido, lançou-se novamente candidato em 2008 e saiu derrotado num embate direto com JR, que buscava sua reeleição. O PSDB perdeu seu presidente municipal e uma de suas potenciais lideranças. Pió afastou-se do tucanato e pediu desfiliação do partido.

Para quem via na derrota de 2008 o fim da Era Vito no PSDB, o tucano ressurgiu na cena política dois anos depois, em 2010, como candidato a deputado Estadual – na disputa direta dentro da cidade com Myriam Alckmin, Vito saiu ganhando. Porém, mais uma vez com dois candidatos, a cidade saiu perdendo. Não elegeu nem um, nem outro…

Entramos em 2012, ano de novas eleições municipais, e o PSDB já tem seu pré-candidato (candidato) definido desde seu surgimento em 1988. Chama-se Vito. Perdeu mais uma liderança, o vereador Isael Domingues, hoje pré-candidato a prefeito. E, mais atrás, entre 2004 e 2008, viu Myriam deixar o partido e seguir novos rumos no PPS.

A manobra do PSDB local em ser partido de um nome só será colocada novamente à prova. Uma vitória poderia representar um respiro ao tucanato. Nova derrota exigiria mudanças drásticas. Mas, que a estratégia de mais de duas décadas é pouco visionária, isso é fato consumado.