>>> José Serra entra na disputa, coloca fogo na corrida eleitoral da maior cidade do país e vê adversários “amigos e inimigos” partirem para o ataque.




Há duas semanas, o PSDB de São Paulo era um partido com quatro pré-candidatos – mas, ao mesmo tempo, sem nenhum favorito parta converter-se em candidato. O quarteto tucano formado por Andrea Matarazzo, Bruno Covas, Ricardo Tripoli e José Anibal, somados nas pesquisas de opinião, não chegavam aos 15% de intenção de votos. Do outro lado, o PT balançava isolado a bandeira de Fernando “5%” Haddad.

Em menos de três dias, os contrarregras foram ao palco e mudaram todo o cenário. Vale um resumo do que aconteceu em cada ninho partidário nas últimas horas. Nas derradeiras linhas abaixo:

PSDB

“Pressionado” pelo governador Geraldo Alckmin, o tucano José Serra levou seu nome à mesa. Ontem, dia 28, em reunião da executiva municipal do PSDB, entregou uma carta solicitando oficialmente sua entrada nas prévias do partido. Bruno Covas e Andrea Matarazzo, em nome de uma “causa maior”, já haviam se retirado da disputa. Aníbal e Tripoli batem o pé. Vão até o fim, garantem. A dupla enfrentou a primeira derrota ontem mesmo, quando viu a votação para a escolha interna do candidato tucano transferida do dia 4 de março para 25 do mesmo mês. Aníbal foi ao twitter e não conteve suas críticas contra o próprio partido:



PT

Com a entrada (sempre certa) de Serra na disputa paulistana, o PT tratou de se mexer. O corre-corre respingou até em Brasília. Nesta terça, dia 29, a presidenta Dilma Rousseff levou o senador Marcelo Crivella, do PRB, para a pasta da Pesca. Sacou de lá um petê, Luiz Sérgio. Para alguns atentos de plantão, a movimentação da engrenagem girou no sentido de forçar o PRB a tirar o nome de Celso Russomanno, pré-candidato a prefeito nos limites paulistanos, que nas pesquisas beira os 21% de intenção de voto. Pretende-se puxar o aliado federal também para o projeto municipal em São Paulo. O PT ainda flerta com outras duas importantes legendas, parcerias na esfera federal: PSB e PMDB.

PSB

De Pernambuco, o presidente de legenda, o governador Eduardo Campos, conduz as estratégias do partido em São Paulo. Amigo pessoal de Lula, Campos tem como plano  ser vice na chapa de Dilma nas eleições de 2014, quando a petista deverá tentar a reeleição. Porém, em São Paulo, o PSB namorou com o PSDB. No final da última semana, no entanto, Campos realinhou o discurso e o partido está cada vez mais próximo da causa Fernando Haddad.

PMDB

Outra ambição do PT, o partido do vice-presidente Michel Temer sustenta Gabriel Chalita na condição de pré-candidato. Temer mostra-se pouco disposto em abrir mão da candidatura própria na capital paulista e estuda as possibilidades de composição. A principal meta chama-se Democratas – tradicionais aliados do PSDB, mas nada próximos quando o assunto significa eleições municipais de 2012.

DEM

Falando no ex-PFL, o partido tem poucas ambições para São Paulo. Flerta com o PMDB de Chalita, mas não descarta totalmente uma nova união com o tucanato. Para isso, espera apoio do partido em outras praças, como em Salvador, onde o DEM esboça lançar ACM Neto como candidato a prefeitura baiana.

PSD




Partido recém-criado pelo atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o PSB não tem um nome forte para fazer sucessão no executivo paulistano. Guilherme Afif Domingues é o nome mais forte do partido na capital – mas não passaria da condição de vice. Kassab teve conversas com Lula e Dilma e aproximou o PSD do projeto desenhado em torno de Haddad. Mas, com a entrada de Serra na disputa, o PSD volta-se novamente para o PSDB.  Gilberto é amigo pessoal de José e, o segundo prevalecendo dentro do tucanato como candidato, os dois caminharão de mãos em 2012. Porém, caso Serra não prevaleça na disputa interna do PSDB, Kassab pode mirar novos alvos. Voltando ao tema PT, o ex-democrata tenta encaixar Henrique Meireles, ex-presidente do Banco Central na gestão de Lula, hoje no PSD, em algum dos ministérios do governo Dilma.

PDT

Em articulação do governador Geraldo Alckmin, o PDT, de Paulinho da Força, está cada vez mais amarrado ao projeto do PSDB. O partido deverá apoiar o tucanato, independentemente do candidato.

PR

O PR pode lançar o deputado Tiririca como candidato próprio em São Paulo, como o próprio partido já avisou. O apoio ao PT só acontece com base em uma condicional. O partido quer de volta o poder sobre o Ministério dos Transportes. Enquanto não tiver “um dos seus” no comando da pasta, o partido nem pisca para o PT na capital paulista.
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