Durante a sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Pinda desta segunda-feira, dia 27, um pequeno mal-estar envolveu o presidente do Legislativo, o parlamentar Ricardo Piorino (PDT), e os representantes do PPS na Casa, Jair Roma e Dona Geni.

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Antes de falarmos do fato desta segunda, cabe uma contextualização. Abaixo:

Quem acompanha os trabalhos do Legislativo de perto sabe que, desde o racha da bancada de sete vereadores “formada” pelo prefeito após 2008, apenas dois nomes continuam como seus fieis escudeiros: os membros de seu próprio partido – Jair e Dona Geni. Piorino, ex-PPS, foi eleito presidente da Câmara pela oposição no final de 2009, contando ainda com um voto de Martim César, do DEM, até então da base do prefeito.

Posteriormente, o líder do governo na Câmara, Alexandre Faria, na época no PSB, deixou a função e passou ao posto que classificou como “neutralidade”. Em setembro de 2011 partia para o PT. Apesar do partido fazer parte do governo João Ribeiro, Faria manteve sua postura “independente”, até pelo fato do PT ser o principal aliado do pré-candidato Paulo Torino, do PMDB, em 2012. O parlamentar, inclusive, foi o relator da CEI da Verdurama, “parte 2”, que culminou na abertura da Comissão Processante (CP) contra o prefeito João Ribeiro e a vice-prefeita Myriam Alckmin.

Marco Aurélio Vilardi, que deixou o DEM e filiou-se ao PR em 2011, também se distanciou da base governista. Toninho da Farmácia, do PDT, também prefere se manter numa postura “central”, afastado-se dos embates entre situação e oposição. Resumindo: sobraram mesmo Jair e Dona Geni como “escudos” do prefeito.

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Mas, voltando ao fato registrado neste dia 27 de fevereiro, ao usar a tribuna do Legislativo, Piorino criticou o mandado de segurança impetrado pela vice Myriam na justiça, pedindo a retirada do seu nome da CP. A pré-candidata a prefeitura de Pinda em 2012 alega que nunca substituiu o prefeito durante a gestão atual. A princípio, o pedido foi negado pela juíza e um documento foi enviado à Câmara pelo poder judiciário solicitando mais detalhes dos motivos que levaram o nome de Myriam para dentro do processo da Comissão Processante.

Piorino chegou a mostrar um documento que recebeu do executivo, datado de 5 de fevereiro de 2009, em que o prefeito João Ribeiro designa Myriam como sua “representante” entre os dias 6 e 19 de fevereiro de 2009 enquanto o mesmo estivesse ausente do cargo.

Quando falava dos trabalhos da CP, sempre ressaltando que não tem intenção de interferir no andamento do processo, Piorino chegou a dizer que os vereadores que não estivessem empenhados em suas funções fossem para casa cuidar de outros assuntos. Claro, não ficaria barato…

Na fase de explicações finais, Dona Geni voltou à tribuna e afirmou estar comprometida com sua função de vereadora – ela que também integra a Comissão Processante. Ressaltou apenas que o caso tem que ser levado de maneira séria e “uma palavra pode mudar tudo”. Segundo Dona Geni, “precisa ser definido termos como ‘representou’ ou ‘substituiu’ o prefeito”.

O vereador Jair também foi ao microfone colocar sua opinião. Foi interpelado por Piorino: “Engraçado que apenas os (vereadores) da base do prefeito estão reclamando”. Jair pediu para utilizar o “pequeno” tempo (de cinco minutos), do qual tem direito. Ouviu nova ironia de Piorino: “Coloca meia hora aí!”.

Enfim, entreveros de uma noite de segunda!
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