>>> Velório localizado ao lado do Pronto Socorro é administrado por empresa terceira, cobra valores absurdos no aluguel de salas e a manutenção do prédio é feita pela prefeitura. Nenhum desses pontos foi questionado pelos parlamentares na passagem de Camilo Afonso pelo plenário

Ensurdecedor silêncio. Assim pode ser resumida a passagem do administrador da Santa Casa de Misericórdia de Pindamonhangaba pelo plenário da Câmara de Vereadores de Pinda. Camilo Afonso Filho esteve no legislativo nesta segunda-feira, dia 27 de fevereiro. Compareceu por um pedido, que podemos classificar como uma insistência, do parlamentar Abdala Salomão, do PSDB.

Frequentemente pode-se ouvir críticas dos vereadores sobre os serviços prestados pela Santa Casa, que tem um convênio firmado com a prefeitura. Os pontos batidos pelos parlamentares estão principalmente ligados ao Pronto Socorro Municipal – na gleba da estrutura de saúde comandada pela instituição. Dificilmente algum dos administradores da Santa Casa prontifica-se na aceitação para explanar sobre os trabalhos realizados.

O administrador Camilo esteve na Câmara. Dos 11 parlamentares, apenas quatro dirigiram perguntas ao convidado. A euforia e a indignação demonstradas nas sessões de Câmara nem perto passaram do plenário nesta segunda. Camilo foi questionado, sim – suavemente. Recebeu, inclusive, “afagos”.

Deixou a tribuna com uma colocação do presidente da Casa, o vereador Ricardo Piorino (PDT), evidenciando que nem tudo foi esclarecido. Pode o administrador ter em mãos números que sustentem seus argumentos. Mas, poderiam os parlamentares terem em suas alças boas munições de contra-argumentações.

Vamos pontuar:

1) Satisfação de 80%

Ponto: Abdala abriu o “debate” colocando algumas reclamações que ouviu da população, como o descaso de alguns médicos. Inclusive, um dos munícipes apontados pelo vereador teria procurado o Pronto Socorro, com dores lombares, e ouvido do médico: “De novo o senhor aqui?”

Contra-ponto: Camilo afirmou que todas as denúncias são apuradas e recorreu ao seu arquivo sobre à tribuna. Lançou alguns números ao vento. Disse que nos últimos 10 anos mais de 1,5 milhão de atendimentos foram realizados pela Santa Casa. Destacou que uma pesquisa de satisfação é realizada diariamente no Pronto Socorro. O documento possui quatro quesitos e 20 perguntas. Garante que 80% dos usuários aprovam os serviços prestados. Apontou que as reclamações ouvidas pelos vereadores são “pontuais”.

Blog: Nas empresas privadas, os clientes têm como uma das ferramentas para avaliar seus fornecedores a famosa auditoria. Conhecida como auditoria externa. No Pronto Socorro, os clientes são os munícipes. Não teriam eles o direito de ter uma empresa terceira, sem vínculo com prefeitura e Santa Casa, avaliando os serviços prestados?  Essa possibilidade foi levantada pelo parlamentar Isael Domingues, do PV.

2) Cirurgião fixo

Ponto: Falando em Isael Domingues, o parlamentar questionou o fato do PS não ter um cirurgião fixo de plantão.

Contra-ponto: Depois de alguns “vai e volta”, Camilo lançou uma pergunta no ar: “Você quer manter um cirurgião apenas esperando uma ocorrência acontecer?”

Blog: Assim deveria ser. Então a Santa Casa não tem que manter um cirurgião de plantão, talvez por horas “sem fazer nada”, e num momento de uma fatalidade o munícipe ter o direito de ter um atendimento de primeira qualidade – e com agilidade? Ou teria que ser transferido para Taubaté? Como diz Camilo, “são apenas 20 minutos”. Por ser público, o serviço tem que ser de eficiência limitada? Não faz sentido…

3) Velório

Ponto: Foi levantado pelo vereador Marco Aurélio, do PR, sobre o sucateamento de alguns pontos do velório – conhecido como Velório Municipal -, como o bebedouro.

Contra-ponto: Camilo destacou que o velório é administrado por uma empresa terceira, mas que entraria em contato com Lucas, responsável pela empresa, para tratar do assunto.

Blog: Talvez um dos pontos mais importantes que deveriam ser debatidos ficou na inércia. O Lucas citado por Camilo é Lucas César Ribeiro, filho de Paulo Ribeiro. Sobrinho e cunhado do governador Geraldo Alckmin, ambos são investigados pelo Ministério Público no caso da merenda escolar. Tema que virou até mesmo Comissão Processante na Câmara. E nenhum vereador questiona esse contrato? O aluguel de uma sala no velório supera a cifra dos R$ 300. Nenhum parlamentar questionou esse valor? Segundo apurado por este blog, apesar do espaço ser administrado  por uma empresa privada e o aluguel das salas atingir valores absurdos, a manutenção do patrimônio é de responsabilidade da prefeitura. E nenhum dos 11 representantes do povo rebateu esse fato?

Enfim, Camilo deixou o plenário com um breve “boa noite”. Passou pelo corredor os vereadores. Tricotou meia dúzia de palavras com um ou outro. Retirou-se do plenário. Mais explicações? Quem sabe um dia…