>>> Fernando Haddad bancou o material de conscientização. Recuou quando viu que se prejudicaria eleitoralmente. Agora, ele e os demais senhores de terno e gravata deveriam sentar no banco dos réus nos próximos julgamentos que, certamente e infelizmente, ocorrerão em decorrência de crimes contra homossexuais.

Estamos chegando perto de mais um carnaval. Como conhecido no senso comum: passada a pajelança do samba, o Brasil inicia mais um ano. As demandas voltam ao normal e as pessoas entendem que há vida para ser vivida nos próximos 10 meses. Em 2012, tudo ficará ainda mais agitado com as eleições municipais – para a escolha de prefeitos e vereadores.

Em São Paulo, um dos pré-candidatos (claro, mais candidato do que nunca) é o petista Fernando Haddad – ex-ministro de Educação nos governos de Lula e Dilma. A disputa eleitoral ainda nem está oficialmente iniciada, mas as estratégias de ataque estão definidas. Haddad, claro, sofrerá com as crises vividas pelo ENEM nos últimos anos. Quando comandava a batuta da educação nacional.

Hoje, dia 15 de fevereiro, o bispo da igreja Universal e presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, revelou mais uma alça da estratégia e iniciou o primeiro bombardeio: “Vai ser difícil tirar essa mancha do Haddad”.

O político refere-se ao “kit anti-homofobia”, criado pelo MEC, mas bloqueado antes de ser enviado às escolas. O material compreendia uma “coletânea” de peças educativas sobre respeito ao próximo (uma das máximas defendida pelas igrejas), principalmente com relação aos homossexuais.

O projeto, que nem chegou aos portos da prática, logo foi batizado como “kit gay”. Foi duramente criticado pela bancada evangélica das casas legislativas. Enfim, terminou nos móveis de arquivo do MEC.

Conceitualmente, o apelido do projeto distorce suas raízes. Nascido como um material de combate à homofobia foi “transformado” pelos assassinos de terno e gravata em um kit pejorativo.

Na prática, colocar o tema no arquivo representa deixar tudo como está. Ou seja, mortes, mais mortes, mais mortes…

Dizem os ignorantes do congresso que o material incentivaria a homossexualidade. Hum?

Preferem continuar incentivando assassinatos…

Dizem os ignorantes que Haddad não conseguirá apagar a “mancha” de ter apoiado o kit.

Manchas também não conseguirão apagar pais e familiares dos mais de 500 homossexuais assassinados no Brasil nos últimos dois anos.

Dizem os ignorantes que “de um jeito ou de outro, Haddad irá apanhar”.

Falando em apanhar, os espancamentos contra homossexuais são registrados diariamente no Brasil.

Diz o pré-candidato do PMDB, Gabriel Chalita, que o próximo prefeito de São Paulo precisará de “valores cristãos” para administrar a cidade.

O senhor poderia ser mais específico sobre que valores são esses? Por acaso não seriam os mesmos valores defendidos pela igreja nos tempos de inquisição, em que pessoas eram assassinadas em praças públicas, né?!


Falando em valores, bastariam os morais e éticos. De preferência “valores laicos”.

Diz o presidente estadual do PT, Edinho Silva, que estão atribuindo ao Haddad “posição que ele nunca assumiu”. 


Pois deveria ter assumido.Resumindo: ele está na mesma panela dos demais.

Diz depois, o mesmo Edinho, que o partido não pode recuar em reconhecer a necessidade de um kit contra atos de homofobia.

Já recuou e o cenário continua o mesmo!

Por fim, cabe um parabéns aos senhores de terno e gravata. Seguindo assim, terão muitas alças de caixão para segurar nos próximos anos e buscar votinhos para uma reeleição. 

O melhor mesmo seria melhor vê-los no banco dos réus, respondendo pelos crimes dos quais os senhores deveriam se defender na condição de cúmplices.