Há oito anos, a região do Pinheirinho foi ocupada por sem-tetos. Por oito anos o Estado virou às costas para a situação e para o povo que ocupou a área…

Faltou política pública (social). Não se desenvolveu condições apropriadas de moradia (como saneamento básico e escolas) para as famílias que “ali” moravam (e cresciam ano a ano), pois o Estado entendia que “ali” não pertencia àquelas pessoas. Preferiu se omitir.

Invasores.  Sim, eles invadiram… E “ali” se instalaram. Há viciados em drogas. Há também prostituição. Há também tráfico. Assim como há em diversas outras localidades onde o Estado se diz presente. Mas, em Pinheirinho, também havia igreja. Havia comércio. Havia praça. Mas não havia Estado. Nunca houve… E, entre as pessoas que dali foram retiradas, continuará existindo drogados, traficantes e prostitutas! 

Em pouco mais de oito horas, a Polícia Militar, cumprindo uma ordem judicial, “varreu” mais de seis mil cidadãos do local. Foram necessárias oito horas, durante esta terça-feira, dia 24 de janeiro, para que metade dos barracos e casebres fossem demolidos– incluindo construções com mobílias no interior. Há quase 80 horas, o Estado está “peidando” na cabeça de mulheres, idosos e crianças. “Cagou e andou” para essas pessoas por 8 anos…

Centenas. Milhares de pessoas. Não há exagero. Estão aglomeradas em alojamentos, igrejas… Dos seis mil “marginais” – visão do Estado – , que moravam em Pinheirinho, cerca de 2.800 foram cadastrados pela prefeitura de São José dos Campos. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) fala em aluguel social para os cadastrados. O prefeito Eduardo Cury (PSDB) explana sobre cronograma para “organizar” a vida dos desabrigados…

E os outros 3.200 moradores? Alguns deles receberam passagem(apenas de ida), para cidades da região ou até mesmo para os mais distantes destinos. Tem gente a caminho do Piauí. Afinal, encosto aqui não! Levem o “problema social” pra lá…

Enquanto Cury vai esperar às 8h da manhã de quarta-feira, dia 25 de janeiro,  – início do expediente – para seguir avaliando o cronograma de recolocação dos cidadãos – agora, novamente sem-teto. Enquanto o Governo Estadual estuda formas de distribuir o aluguel social e destinar pessoas ao antiquado (pré-histórico) programa habitacional CDHU… Pessoas seguem em alojamentos.

O Estado que se calou é o mesmo Estado que agora berra (para se defender das críticas). O Estado que se omitiu é o mesmo Estado que agora estuda manobras para amenizar uma situação que se tornou patética. O Estado que se diz preocupado com a causa “social” é o mesmo Estado que defeca na cabeça de sua gente…

Definitivamente, SP está com uma incontrolável disenteria…