“Pacificamente”. Foi assim que a Polícia Militar de São Paulo definiu a ação no Pinheirinho neste domingo. Fez sua auto-avaliação ecoar pelas redes sociais (twitter e facebook).

Um morador gravemente feriado. Primeiro ato da PM: negar que os tiros que alvejaram o cidadão tenham partido de armas da força de ação.

Pinheirinho – um grande pedaço de terra. Terrenos que caracterizam “massa falida” de uma empresa. Está nas mãos da justiça decidir o futuro daqueles alqueires. Decisão que impacta diretamente na vida de mais de 6 mil pessoas.

A invasão “pacífica” dita pela política foi marcada por disparos de balas de fogo e, claro, reação da população. Assim como o Governo Federal – que participava das negociações – foi pego de surpresa com a ação da polícia (em decorrência de uma decisão judicial), a população de Pinheirinho também tomou conhecimento da ofensiva quando observou os blindados invadindo as ruas da região.

Para invadir o Alemão, no Rio de Janeiro, as forças do Estado levaram horas no pé do morro. De lá negociaram e programaram a entrada. Que começou ainda numa madrugada e terminou à luz do dia.

No Rio, do Alemão poderiam vir surpresas. Surpresas que foram neutralizadas. Em São José dos Campos, a surpresa veio das mãos de órgãos que deveriam garantir a paz.

Do alto de suas mesas, os juízes e comandantes governamentais decidem as ações – executadas em terra pelas forças militares e/ou civis.  

Do alto dos céus, os Águias da PM lançam bombas (de efeito moral). Lá embaixo, a população (pega de surpresa) reage ateando fogo nos pneus – já ouviram falar em ação-reação?

A PM cerca todas as entradas – um contingente de mais de dois mil homens… Carros são incendiados.

Ao meio dia, famílias começam a deixar o local. Alguns carregam nos braços botijões de gás. “Outras” levam “outras” nas mãos (como na foto acima, de Roosevelt Cassio/Reuters).

Via Dutra parada e eletrônicos saqueados na Fundhas…

Mais uma vez, a falta de planejamento e de políticas sociais (que envolve desde acesso à escola até condições dignas de moradia) resultam no que classificam hoje como “cenário de guerra”.

Verdadeiras guerras civis, que geram efeitos morais para toda vida…