>>> Assunto “massacrado” em período de campanha, agora virou tema corriqueiro. Ninguém tem coragem de colocar na mesa os assuntos que realmente atingem o cerne da sociedade.

Diferentemente da postura que tomei na primeira vez em que escrevi sobre o tema, em 13 de outubro de 2010, agora prefiro iniciar pela minha opinião. Nua e crua!

Por vezes explanei neste blog, principalmente durante o período da campanha presidencial de 2010, sobre o aborto – tema debatido incessantemente no segundo semestre daquela ano.

Sou totalmente contra o abordo. O ato em si, que caracteriza interromper o ciclo natural da vida, na minha concepção, é abominável. Não consigo compreender, do alto de minha incapacidade de carregar um filho na barriga por nove meses (e por questões físicas), o que passa na cabeça de uma mãe quando decide tirar a vida de alguém. Sim. Aborto é assassinato.  

Mais do que análises pessoais. Aborto é saúde pública. Aborto é um problema de todos.

É mais fácil tapar os olhos para os problemas? De fato esse parece ser o caminho… Porém, insisto no que escrevi há mais de um ano. Muitos dizem que o ato do aborto é um desrespeito à vida. Concordo em gênero, número e grau…

Mas, deixando tudo como está, será que estamos respeitando à vida?

Um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que seis milhões de mulheres praticam aborto induzido na America Latina anualmente. No Brasil, são 1,4 milhão de “ex-futuras-mães” que não respeitam o direito à vida todos os anos. [trecho retirado do artigo escrito em 13 de outubro]

O maior número desses 1,4 milhão de abortos realizados todos os anos no país acontece em clínicas clandestinas. Quer mais desrespeito à vida do que aceitar ser mutilada em uma cama que sabe-se lá a procedência e por bisturis não esterilizados? Não basta tirar a vida do futuro bebê. Corre-se o risco da perda de duas vidas…

Insisto. Deixar como está é respeitar à vida?

Enquanto não se colocar o abordo na mesa de discussão, pouco se avançará no tema e tudo continuará no atual patamar: 1,4 milhão de mulheres, anualmente, sendo rasgadas (por vontade própria ou por pressão) em locais porcos e por pseudoprofissionais nojentos…


Colocando-se o assunto na roda de debate, conseguiremos avançar em políticas públicas para grávidas sem condições sociais para sustentar um filho e para mulheres vítimas de estupro – duas importantes causas que levam ao ato de se procurar uma clínica de aborto. Além disso, podemos avançar em leis e penas para as clínicas que funcionam clandestinamente. 


Mas não haverá avanço sem debate…

A realidade, que parece tão distante de nós, está logo abaixo do nosso focinho. Ao invés de respirarmos o assunto, preferimos afastar o problema para longe da nossa zona de detecção do olfato.

Seria bom se aprendêssemos a fazer o mesmo gesto com nossa hipocrisia mundana e colocá-la um pouco de lado. Pode ser de vez em quando!

Avante no debate!
                                                                  
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