No jogo da política, como diria o outro, é tira de lá e põe de cá. Quando falta no lá ou está escasso no cá, o jogo fica desequilibrado…

Assim que terminou o processo eleitoral de 2008, após ser reeleito, João Ribeiro tinha tudo no cá.
JR venceu nas urnas um “mito” da política pindamonhangabense, manteve nas mãos a máquina do poder executivo e, ainda, fez maioria esmagadora na Câmara. 7 vereadores de situação e 4 de oposição.

Nos dois primeiros anos, 2009 e 2010, João nadou de braçada… No Legislativo tinha um líder de governo pouco político, mas “gabaritadamente” administrativo: Alexandre Faria, então no PSB. Com livre acesso aos corredores da Câmara, o secretário de Integração e Governo, Arthur Ferreira dos Santos, dizia e desdizia dentro das ações da base aliada.

Porém, tudo começou a mudar em 2010. Em uma bela dança sincronizada, digna de medalha de ouro, Ricardo Piorino, ainda no PPS, foi eleito pela oposição presidente para o segundo biênio da Câmara. Contou com um voto precioso de Martim César que, no final de 2008, no hall superior da Santa Casa de Pinda, havia se comprometido com Marco Aurélio – na época, ambos do DEM – em apoiá-lo para presidência do segundo biênio. Martim foi o presidente da Casa em 2009 e 2010.

João Ribeiro seguia com a máquina do executivo nas mãos, mas via ruir sua maioria esmagadora no Legislativo… Começava a sobrar alguma coisa para o lá!

Quando a vice-prefeita Myriam Alckmin impetrou o mandado de segurança que barrou a votação do relatório final da primeira CEI da Verdurama, em janeiro deste ano, Faria virou alvo de ataques do presidente da Câmara, Ricardo Piorino.


A participação de Faria na base aliada ficou ainda mais morna em fevereiro deste ano quando, segundo o parlamentar, o secretário Arthur o ameaçou. Faria foi para fora dos limites de Pinda e registrou um Boletim de Ocorrência contra o secretário em Taubaté. Deixou a liderança da base, mas mantinha firme sua confiança no prefeito.


O tempo passa…

Quase um ano depois do entrevero entre Piorino e Faria, apesar das discordâncias pessoais, ambos (hoje, respectivamente, no PDT e no PT) se encontram do mesmo lado do barco-viking. Faria conduziu, e bem, a conclusão da CEI da Verdurama. Presidente da Comissão, José Carlos Gomes, o Cal, entrou com a denúncia assim que o relatório terminou de ser lido, no dia 5 de dezembro. Piorino organizou o palco do legislativo, os vereadores por unanimidade deram “ok” e estava criada a Comissão Processante contra João Ribeiro e… (conseguiram)… Myriam Alckmin. Do mesmo partido do prefeito, o PPS, até mesmo Dona Geni e Jair Roma votaram favoráveis à Comissão.

A justiça corre com seu processo em paralelo. Por esse ou aquele motivo, a Câmara cumpre seu papel: o de fiscalizar. Afinal, sejamos francos: se os parlamentares não fazem nada, reclamamos. Se fazem, questionamos…

Abre-se um novo processo, que levará no mínimo 90 dias. Sendo assim, na mais rápida condução, será concluído em março de 2012.

João Ribeiro perdeu a maioria no Legislativo e agora corre o risco de perder a máquina do executivo. Vai sobrar tudo pro lá?

 Pré-candidata em 2012 e também alvo da Comissão Processante, Myriam vai ter que fazer a dança da chuva para se livrar da sangria política que se inicia. Tem ainda que se preocupar com mais uma CEI, a da Bracol, que vai investigar a suspeita de doação de 150 mil para sua campanha à deputada, em 2010.

Causa ou consequência, a esmagadora oposição que João Ribeiro viu surgir nos últimos anos, tem na Comissão Processante bala (suficiente ou não, ainda não é possível saber) para desestabilizar o processo de sucessão em 2012.