Que correria é essa, gente? Foram meses e meses de trabalho, algo em torno de 8 ou 9 meses. Depois de avaliações e reavaliações, parece que ninguém está seguro. Isso é ansiedade, grita um lá no meio. Isso é normal!

Assim como o pai babão, o carnavalesco está ali… Atento! Olhando o carro abre-alas, mas com a cabeça no sétimo carro, que foi o mais especial de todos…

Ops, a escola nasceu… Lá vem a comissão de frente. Linda e irreverente como deve ser a chegada ao mundo. A comissão de frente é o “tapinha no bumbum” que recebe a escola. Passou a linha, tá valendo! É preciso sorrir para o universo iluminado da passarela. É preciso ter gingado para descobrir como pisar cada passo daquele imenso caminho de sonhos. Quantas pessoas te olhando, não é mesmo? Da escuridão da concentração para o mundo iluminado da avenida… Um pulo, do quentinho da barriga materna para a vida!

A perfeição de um casal… Assim como a vida foi capaz de formar a magia de se “criar” um novo ser, tem o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira a responsabilidade de mostrar ao mundo a escola. E tem que representar bem! Mostrar que o percurso de nove meses, agora é realidade. Ao longo daquele imenso colorido, virão outros casais… Tão importantes como o primeiro. Vezes até mais… Afinal, quantas mães ou pais “conquistamos” ao longo da vida; seja lá qual for à circunstância.

Fazer do dia a dia um grande colorido? É batata cair no meio da avenida um pedaço da fantasia ou uma pata do tigre que embeleza o carro abre-alas… Ou é a sandália que arrebenta, ou o adereço de cabeça que se solta. Mas o importante é não perder o sorriso no rosto e a alegria estampada no corpo. Isso certamente irá comprometer a harmonia e, consequentemente, poderá tirar pontos da evolução. É preciso evoluir firme na avenida. É preciso sorrir e evoluir de cabeça erguida na vida…

Que som ensurdecedor é esse que vem chegando? Caramba, que mistura de sensações. Seria o coração disparado em sentimentos ou a combinação perfeita de tamborins, surdos, caixas, cuíca… É uma harmonia perfeita. Tão perfeita que precisou de “zilhões” de ensaios para chegar neste estágio. E ainda tem gente que ousa não avaliar com a nota dez. Parece aquelas pessoas que insistem em palpitar nas decisões do coração. O coração, a bateria de cada ser…

Lindamente a escola ocupa toda a avenida. Aos poucos, a comissão de frente vai saindo de cena. Fica na memória e nos registros em filmagem e fotografia… Como foi lindo aquele nascimento, recordaremos anos mais tarde. Vão deixando o nosso ciclo de convivência também os inesquecíveis mestres-salas e portas-bandeiras que tanto nos ensinaram. Que tanto nos encantaram. A pata quebrada do tigre e a sandália arrebentada, que tenham servido de aprendizado e para o crescimento.

E que o colorido das fantasias da ala 2, que agora deixam a avenida, fiquem guardadas como os bons momentos que vivemos. Como aquele vento leve que batia no rosto quando brincávamos no balanço, ou aquele sorvete que teimava em lambuzar cada parte do rosto, ou a primeira formatura, o primeiro emprego, o primeiro amor… Veja bem como o colorido infinito da escola de samba da vida é capaz de passar por cima dos percalços que surgem durante esse contagiante desfile…

O enredo somos nós que escolhemos e desenvolvemos. É dele que surge o mais lindo samba-enredo que balança as trilhas do nosso caminho.

Fazer da vida uma escola de samba é viver cada dia na busca pelo objetivo de brilhar sempre. Nos problemas, ao invés de utilizar o esforço natural que nos leva a remoer o momento, encontrar os caminhos para a solução. E, depois que a avenida por inteira acabar, poder comemorar os centésimos de pontos conquistados em cada quesito. Afinal, eles são resultado de muito esforço e conquistas diárias.

No carnaval da vida, é sempre bom lembrar, os carnavalescos somos nós…