Quem não conhece a famosa expressão “mão de vaca”? Para quem não conhece, resumindo rapidamente, significa aquela pessoa que dificilmente movimenta suas econômicas. Quando o faz é sempre com cautela e gastando estritamente o necessário. Num mundo como a Fórmula 1, onde o glamour e os enormes orçamentos reinam anualmente, parece difícil acreditar que por ali exista alguém com esse perfil de “munheca” – outra expressão conhecida para designar os economicamente controlados.

Historicamente, a equipe Williams foi marcada por sua independência dentro da Fórmula 1. Nunca se vendeu para montadora alguma – fez no máximo contratos de parcerias técnicas, como no casamento com a BMW, que durou de 2000 a 2005. No entanto, para se manter viva na categoria, sempre contou com o organizado e “muquirana” – outra palavra para explicar lá em cima –, Frank Williams. Assim como Frank, seu sócio, Patrick Head, segue a mesma linha de conduta quando o assunto é financeiro.

A Williams sempre contou com grandes duplas de pilotos, ou teve em um de seus cockpits um campeão do mundo. Pegando apenas de 1990 para cá, contou com nomes como Nigel Mansell, Alain Prost e Ayrton Senna. Quando a receita caiu, apostou em promessas vindas dos EUA, como Jacques Villeneuve – campeão do mundo pela equipe em 1997 – e Juan Pablo Montoya. Também investiu em pilotos medianos – consequentemente não tão caros –, como Ralf Schumacher e Heinz-Harald Frentzen.  Tem ainda as boas apostas em pilotos da escola europeia de automobilismo, como Jenson Button e Nico Rosberg.

Após o fim da “Era das montadoras” na F1, encerrada no fim de 2008, em meio à crise econômica mundial, a Williams viu a chance de voltar a ser uma grande equipe. Porém, o capital de giro estava cada vez mais escasso. Por isso, abriu as portas para os pilotos-bancos. Aqueles que levam grana para a equipe. Focou em nomes como o japonês Kazuki Nakajima, Nico Hulkenberg e, mais recentemente, o venezuelano Pastor Maldonado, que leva dinheiro da estatal petroleira do país sul-americano.

Foi a vinda de Hulkenberg, em 2009, um piloto-pagante, que permitiu a Williams voltar suas apostas para um piloto que gera gastos – ou seja, tem que ter salário -, mas, em contra partida, traz experiência e vivência de Fórmula 1. Contrataram, então, Rubens Barrichello, no final de 2009. Barrichello teve diversos contatos com a Williams ao longo de sua carreira na F1. Logo após a morte de Ayrton Senna, ainda em 1994, posteriormente em 1999, quando a equipe de Grove preferiu apostar em Alessandro Zanardi, e em 2004, quando Frak Williams já estava cansado da dupla Rafl e Montoya.

Tirando 1994 e 99, em que as circunstâncias foram outras, em 2004 o problema que barrou o fechamento de um acordo entre Rubens e Williams foi justamente financeiro. O time inglês não aceitava pagar os valores que o brasileiro queria. Na época na Ferrari, vencendo algumas corridas e ainda com seus 32 anos, Rubinho era um piloto bem mais valorizado monetariamente falando.  Em 2009, após um bom ano na Brawn GP, Barrichello ainda mantinha seus talentos como piloto; e “ações” bem mais baixas do que cinco anos atrás. Situação que permitiu, enfim, um acordo entre as duas partes.

Rubinho fez uma boa primeira temporada na Williams, mas vive, juntamente com a equipe, sua pior temporada na F1. Para 2012, tem um grande corrente para a vaga: chama-se Kimi Raikkonen. Apesar de três anos afastado da F1, o finlandês continua com o passe valorizado. É um campeão do mundo – título conquistado pela Ferrari em 2007 – e atualmente está envolvido como a elite do Rally mundial, no WRC.

Exatamente o fator financeiro poderá ser um problema para um acordo final entre Raikkonen e Williams. Diz a imprensa européia que um banco árabe colocará dinheiro em Grove, levando Kimi para lá. Porém, o tal anúncio que aconteceria em Abu Dhabi ficou para a história. Que existe uma negociação entre as partes não há duvidas – já foi confirmada pelo próprio Kimi e por um dos sócios da Williams, Toto Wolff. Frank e Patrick também não descartam ter o piloto no próximo ano.

A chance de acordo está longe de ser nula. Mas também distante de ser 100% certa. Raikkonen é um piloto caro e não vai aceitar voltar para a F1 para receber pouco. Nem a Williams aceitará contratá-lo esperando atrair investidores que ajudem a bancar o piloto. Tudo tem que estar “preto no branco”. Frank Williams nunca foi e nunca será de arriscar. Ele prefere um presente difícil, mas garantido; do que um futuro possivelmente deslumbrante, mas que  exija colocar suas econômicas em risco. Esse é o Sr. Frank, que nunca trocará o certo pelo duvidoso.

Neste momento, Barrichello ainda está na posição de certo. Enquanto Raikkonen…

Mesmo assim, continuo com minha opinião que, dependendo do andamento das coisas nas próximas semanas, o futuro de Rubinho em 2012 será a Renault, que se chamará apenas Lotus no próximo ano. O retorno de Robert Kubica está cada vez mais distante e, com Bruno Senna e Vitaly Petrov no fim desta temporada, o time comandado por Eric Bollouir já viu que precisará de um piloto experiente caso queira voltar à elite da F1. Sobre ter Rubinho, o dirigente foi discreto: “Não posso dizer que sim; nem que não.”