Enquanto enfrenta sua mais difícil luta, para vencer um câncer na laringe, o ex-presidente Lula continua seu trabalho de articulação política. O tratamento exige uma agenda mais comedida, falar pouco. Porém, nada impede que o manda-chuva do PT continue mexendo os pauzinhos dentro do partido vermelho.

Com um apoio decisivo de Dilma Rousseff nos últimos dias, Lula conseguiu minar os sonhos de Marta Suplicy de ser novamente candidata à prefeitura de São Paulo. Apesar de ainda existirem outros nomes “vivos” dentro do PT, o candidato do partido será mesmo Fernando Haddad, ministro de educação dos governos Lula e Dilma.

Enquanto vive a expectativa de como poderá participar da campanha eleitoral em 2012, o ex-presidente já pensa em 2014. Imagina Dilma candidata à reeleição, mas sua maior preocupação está no governo de São Paulo. Lula quer tirar a máquina do Estado mais rico do país das mãos do PSDB. Viu que Mercadante não deu conta. Até confia no “companheiro”, mas entende que no ano passado era obrigação do candidato ter, ao menos, levado Geraldo Alckmin ao segundo turno. O tucano venceu logo de cara.

Agora, Lula já achou outro nome para apoiar. Trata-se de Luiz Marinho, hoje prefeito de São Bernardo do Campo – cidade “oficial” de Lula. Assim como o ex-presidente, Marinho é nascido no sindicalismo e tem uma trajetória política semelhante a de Lula. Enxerga na figura do novo pupilo, o candidato ideal para 2014 no Estado de SP.

Quando ouve de muitos que a única forma do PT assumir o governo de São Paulo seria com sua própria candidatura, Lula deixa claro que isso não faria sentido. Mas vê sua imagem no corpo de Marinho. Entende que sua força de ex-presidente ficaria ainda maior do que ficou quando subiu aos palanques para pedir votos para Mercadante.

Inclusive, nas “contas secretas” de Lula, Marinho pode ser até o nome para sucessão de Dilma em 2018. O número um da fila, hoje, é o governador da Bahia, Jaques Vagner. Porém, assim como um dia Zé Dirceu e Antônio Palocci lideraram a fila e o bastão caiu nas mãos de Dilma, o mesmo pode acontecer com Marinho dentro de sete anos.

Como para 2018 ainda faltam três eleições (duas municipais e uma presidencial), Lula prefere focar mesmo em 2012. Em paralelo, articula 2014 e visualiza 2016. Fato mesmo apenas um: o tempo maior que Lula tem passado em São Bernardo após deixar a presidência parece ter feito Luiz Marinho ganhar um valioso fã.