>>> No encontro do G20, que terminou sem avanços reais sobre a crise europeia, Dilma Rousseff mais do que fez jus à última lista divulgada pela Forbes que apontou a presidente como a 22ª personalidade mais influente do mundo.



Nas duas últimas décadas, o Brasil viveu três cenários diferentes na sua relação com o mundo globalizado – especialmente frente a países como EUA, Alemanha, França e China. De coadjuvante e condição secundária na década de 90, o principal líder da América do Sul ocupada hoje posição de destaque, tem sua voz “tupiniquim” ouvida pelas lideranças mundiais e até se dá ao direito de “ironizar” sua forma de atuação diante da crise econômica na Europa.

Durante o governo do presidente Lula, o Brasil deu um importante salto na sua postura internacional. Começou lá em 2003, no primeiro encontro do G8, quando Lula virou para Celso Amorim (seu ministro de Relações Exteriores), ao ver Jorge W. Bush entrar na sala, e disse: “Vamos continuar sentados. Quando entramos ninguém se levantou para nos cumprimentar.”

O fato é isolado, mas ilustra bem a condição que o Brasil passava a assumir no cenário global. Deixava de lado a cabeça baixa para falar de igual com líderes mundiais. Entre 2003 e 2007, o Brasil nadou de braçadas no bom momento vivido pela economia mundial. E o mundo viu a chance de nadar de braçadas na nossa nova realidade. O país pagou sua dívida e saiu do posto de devedor para ocupar uma seleta lista de países credores do FMI.

Nas relações econômicas, ampliou seu leque de parceiros comerciais. Aportou nos emergentes asiáticos e fez aproximação estratégica com países africanos. Ações que seriam decisivas para o Brasil passar pela crise de 2008 e 2009 sentindo apenas uma “marolinha”.

Nos G20 da vida, teve voz ativa e rouca nos encontros. Distribuiu dinheiro a rodo para salvar o mundo. Saiu da condição de coadjuvante da década de 90 para o posto de salvador do mundo na primeira década dos anos 2000.

Agora, sob a batuta de Dilma Rousseff, o Brasil avança para uma nova postura. Respeitado internacionalmente, depois de combater a crise com crescimento (pequeno é verdade), o país se deu ao luxo de encerrar o G20 com discurso solto. Sem palavras prontas na mão, Dilma definiu que o encontrou da última semana teve “sucesso relativo”. Sobre ajudar os países do velho continente, foi enfática ao afirmar: “Eu não tenho a menor intenção de fazer nenhuma contribuição direta pro fundo de estabilização europeu. Por que que eu não tenho? Porque nem eles têm! Por que eu teria?”

Completou: “Porque dinheiro de reserva é dinheiro que você protege e que foi tirado com o suor do nosso povo. Então não pode ser usado de qualquer jeito.”

Do silêncio para a mão aberta… O Brasil parece, agora, no caminho do equilíbrio.  E, no G20, Dilma brilhou mais do que Angela Merkel, a chancellor alemã, que na lista da Forbes figura na quarta colocação, e do presidente americano Barack Obama, líder na publicação.