Em uma cidade no interior de São Paulo, mais precisamente na região do Vale do Paraíba, uma história chama muito a atenção. Teria ocorrido em meados dos anos 60. Um casal, horas depois de contrair o manicômio (quer dizer, matrimônio), teria encerrado o relacionamento. Moraram juntos por algum tempo, mas, segundo dizem, separados dentro de casa desde a noite da lua de mel.

Na Fórmula 1, quem parece viver algo semelhante nos últimos anos é Rubens Barrichello. Desde que deixou a Stwart, em 1999, para pilotar pela Ferrari na temporada seguinte, o brasileiro tem desenvolvidos acentuadas crises de relacionamento por onde passa. O sonho de pilotar pelo time de Maranello virou pesadelo quatro corridas depois de sua estreia, que acoteceu no GP da Austrália.

Na etapa de Imola, Rubinho reclamou pela primeira vez, ao dizer que gostaria de entender o motivo de não conseguia ter o mesmo ajuste de carro do companheiro Michael Schumacher. Pela primeira vez, dava a entender que era preterido dentro do time. Como todos sabem, o cenário apenas piorou com o passar dos anos.

Porém, o relacionamento foi até longo e durou seis temporadas, terminando um ano antes do encerramento do contrato, que se encerrava no fim de 2006. Em meados de 2005, Barrichello confirmou que estava de malas prontar para pilotar na Honda, montadora que assumiria a BAR a partir do ano seguinte.

Assim que começou a trabalhar com os japoneses, no dia 1° de janeiro de 2006, Rubinho chegou a ser comparado ao mestre Ayrton Senna. Não na arte de pilotar (obviamente), mas na sua capacidade de desenvolvimento do carro e identificação dos problemas existentes no projeto.

No entanto, bastou uma temporada complicado, em 2007, para que a relação ficasse estremecida. O piloto não era prioridade do time para a temporada de 2009, até que a Honda anunciou: estava deixando a F1.

Foi então que entrou em cena o senhor Ross Brawn, que tomou a frente do time, acreditando no projeto para aquela temporada, e criou a Brawn GP. Apesar do ano promissor, o orçamento limitado fez o experiente profissional optar por uma dupla de pilotos com bagagem, mantendo Jenson Button e Barrichello.

O piloto brasileiro havia trabalhado com Brawn nos tempos de Ferrari e os dois voltaram a se encontrar ainda na estrutura Honda, no início de 2008. Para 2009, Brawn jogou suas fichas na experiência de Barrichello. A lua de mel durou até o GP da Espanha, quinta etapa do mundial, quando Button venceu, em uma corrida que estava aparentemente nas mãos de Barrichello. Após a prova, Rubinho declarou que o inglês estaria sendo beneficiado pelo time.

Em setembro do mesmo ano, Barrica assinou com a Williams, onde chegou com moral junto aos sócios Frank Williams e Patrick Head. No primeiro mundial, tudo perfeito… O carro era razoavelmente bom e os resultados, mesmo que limitados, animavam, como os quartos lugares nos GPs de Mônaco e de Valência.

Apesar de não ser uma crise escancarada, a relação entre Rubinho e a cúpula da Williams já não é mais a mesma. Neste ano, o carro do time de Grove é inferior ao modelo do ano passado e os resultado não aparecem: o time soma quatro pontos, todos conquistados por Barrichello. Além do projeto não ter rendido frutos, o talento do venezuelano Pastor Maldonado é outro fator que joga contra Rubinho, já que a Williams começa a acreditar ter outro piloto em quem pode confiar.

Mais do que talento, Maldonado injeta uma boa grana anual no time. A permanência de Maldonado é dada como certa por Frank. Barrichello, ainda é dúvida… Ele quer ficar e Parr, presidente do time, quer mantê-lo.

Quando as duas partes querem segurar a relação, podemos dizer que há meio caminho andado. Porém, “casamento” depois que azeda, “difícil por demais” recuperar…