Viela, favela,
Mazela,
Tiro, fardado-bandido
Bandido-fardado

Povo oprimido
Pelo próprio medo
Medo:
De sua História apagada
Do Presente ofuscado
E do Futuro roubado

Refúgios, fé
Templos fechados…
A casa do Pai
Dízimo, dívidas
Salvação
Dízimo
Vítimas da desinformação
Dízimo…
Dívidas…
Religião: imagine sem ela?!

Menina-moça
Criança-jovem,
com “barriga” de “conta-meses”
Parto, na maca
Bebês, lixão
Qual a ligação?
Veja no noticiário…

Escola, invasão
Tiros, mortes
Revolta…
Quem apagou a história?
Do menino oprimido…
Do cabisbaixo…
Do olhar profundo…
Do urubu em tempos de sol quente…

O Estado falhou
Quem conviveu, se omitiu
A consequência, não ofuscou o presente
Mas roubou o futuro:
De crianças, famílias, educadores…

Céu azul,
Sub esfera cinza
Sub camada humana

Sub-mundo,
Álcool, prostituição, drogas…
Óxi!
Oxi, quiçá fosse nova.
Logo será velha.
Se já não é até o fim das reticências…

Cultura, do dinheiro fácil
Prática, do roubo
Do menino de roupa rasgada
Rouba 1, 2, 100 reais…
Do “doutor” engravatado
Abocanha 1, 2, 100 milhões
Antes fossem só reais

Dinheiro fácil, desviado
Que rouba comida,
Remédio,
Saúde descente
De gente de cara limpa

Dinheiro fácil, desviado
Que rouba vidas,
Rouba o futuro!

A mentira desvairada dos fortes
A omissão contida dos fracos

Bom era antes,
Quando mar preto,
Não passava de arte infantil no papel…