O que um dia era apenas uma análise política – e até poderia variar de pessoas para pessoa – hoje ficou claro. A Câmara de Pinda está divida em dois blocos. Aquilo que um dia chamamos apenas como oposição e situação, no caso de Pinda podemos nomear de “sexteto” e “quinteto”, respectivamente.

O primeiro grupo, que se formou “oficialmente” no final de 2010, caracteriza a nova plataforma oposicionista na Câmara, formada pelos vereadores Ricardo Piorino, Martim César, Abdala Salomão, Jânio Ardito, Dr. Isael Domingues e José Carlos Gomes “Cal”. A segunda cúpula é formada pelos vereadores Alexandre Faria, Dona Geni, Dr. Marco Aurélio, Toninho da Farmácia e Dr. Jair Roma. Portando, 6 a 5!

Nesta segunda-feira, dia 31 de janeiro, na primeira Sessão Legislativa de 2011, a oposição tinha a expectativa de votar o relatório final da CEI da Merenda, que investiga, paralelamente ao Ministério Público, a suspeita da formação de cartéis de superfaturamento no serviço de merenda do município.

Pessoas da administração pública, diretamente ligadas às investigações, foram afastadas do cargo pelo prefeito João Ribeiro. A Verdurama, que fazia o serviço da merenda na cidade, também saiu de cena e o poder público reassumiu o trabalho.

Com a votação do relatório final da CEI, que acusa o prefeito JR de omissão no caso, os vereadores da oposição esperavam conseguir instaurar uma Comissão Processante, que, no mais grave de seus resultado, poderia resultar na cassação do mandato do chefe do executivo.

Porém, minutos antes da sessão, um oficial de justiça “baixou” na Câmara com uma liminar assinada pela juíza de direito Dra Claudia Ballestero, suspendendo a apreciação do relatório final da CEI e, consequentemente, a votação para criação de uma CP. O fato deixou o grupo oposicionista revoltado.

Para apimentar ainda mais a sessão, a base governista instaurou, com a assinatura de cinco vereadores, a abertura de duas CEI’s para apurar, respectivamente, possíveis irregularidades na infraestrutura do prédio do Legislativo, inaugurado em 2007 na gestão do ex-presidente da Casa, vereador Jânio Lerário, e também os problemas que teriam sido constados no concurso público realizado em 2010.

Iniciando os trabalhos em plenário como presidente da Câmara, Ricardo Piorino, um dos grandes articuladores da CEI da Merenda, foi à tribuna. De lá, disparou duras críticas contra o parlamentar Alexandre Faria – líder de governo na Câmara. Entre outros pontos, Piorino chamou o vereador de “covarde”. Em resposta, sempre polido, Faria afirmou que apenas esperava que fosse “cumprida a constitucionalidade”.

Plenário lotado

Tirando sessões solenes, na atual legislatura esta segunda-feira foi a mais movimentada, com a presença de populares em grande número. A maioria dos presentes demonstrava claramente o apoio para abertura da Comissão Processante, aplaudindo todos os parlamentares da oposição e, até mesmo, vaiando os integrantes da base governista. No momento que o vereador Dr. Isael foi à Tribuna, levando nas mãos o relatório final da CEI, um munícipe perguntou para este repórter: “Esse daí é do lado do prefeito, né?”. Com a negativa, corrigindo que Dr. Isael faz parte do grupo de oposição, a conclusão do espectador foi: “Então vamos aplaudir!”

Circo?

Em determinado momento, um popular gritou: “Aqui é a casa do povo!”. De fato, a Câmara, bem como a prefeitura e todos os prédios públicos, é a casa do povo. Porém, este mesmo povo deveria frequentar com mais afinco as sessões de Câmara – não comparecer apenas em uma determinada sessão. A falta de respeito marcou a sessão, com pessoas falando alto e gritando de um lado para o outro: “Ei, ‘fulano’, não vai falar nada não?”. Colocações infelizes em um momento nem um pouco oportuno.

Falta preparo

A base de governo do prefeito João Ribeiro mostrou mais uma vez não estar totalmente preparada politicamente para enfrentar as crises dentro do Legislativo. Durante a discussão da não votação do relatório final da CEI, diversas vezes foi levantada a “bola” de que o Ministério Público é um órgão sério – como de fato é! – e continua munindo os vereadores com informações sobre o caso. Ponto ápice disso tudo: se o MP ainda continua levantando provas sobre o caso, como pode a Câmara querer abrir uma Comissão Processante para tentar cassar o prefeito. Esse era o ponto “X” da questão, que ninguém comentou em plenário. O grupo governista bateu cabeça dizendo que a CEI tinha que ouvir as pessoas envolvidas. Neste caso, ponto positivo para a oposição, já que os envolvidos já foram ouvidos duas vezes: na CEI de 2006 e pelo MP.

Imprensa sumiu!

A grande mídia nacional, que fomentou o assunto da merenda ao longo dos últimos meses devido as denúncias de envolvimento de Paulo Ribeiro, cunhado do governador Geraldo Alckmin, nem deu as caras na Câmara de Pinda. É verdade que o assunto não tem mais um link para repercussão nacional, mas jornalismo é jornalismo, e a cobertura deveria se estender durante todo o processo. Uma vez que a imprensa “entrou” na história, que fique nela até o fim…

O risco do anonimato

A internet foi uma grande ferramenta de democratização do processo de comunicação. Ele fez sair de cena, ainda que em partes, a figura do emissor e do receptor. Todos, sem qualquer tipo de distinção, são emissários e receptores das informações veiculadas neste meio virtual. Porém, esse novo cenário abriu brecha para um grave problema: o uso da “máquina” por oportunismo. O que tem de blogs e emails anônimos circulando na internet sobre o caso da merenda não está escrito. Isso é um risco!