O Jornal “O Estado de S. Paulo” traz em quase uma página de sua publicação deste domingo, dia 9 de janeiro, a seguinte matéria: “Depoimento revela propina para lobista”. Logo abaixo do artigo principal, outra nota, mais curta, intitulada: “´Mesa dos apóstolos´ decidia sobre os valores das doações”.

As referidas publicações dizem respeito aos trabalhos do Ministério Público, que investiga em cidades de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, a suspeita formação de cartéis de superfaturamento na terceirização de serviços de merenda escolar.

O jornal destaca as ações ocorridas em Pindamonhangaba e enfatiza o suposto envolvimento do empresário Paulo Ribeiro – cunhado do governador de SP, Geraldo Alckmin.

A matéria do Estadão é uma das publicações mais completas desde que o caso estourou, em outubro de 2010, quando o prefeito João Ribeiro exonerou o secretário de Finanças Silvio Serrano e o Direto de Licitações Marcelo dos Santos.

Além de abordar Paulo Ribeiro, o jornal também destaca em quatro parágrafos o depoimento dado pelo ex-vice-prefeito João Bosco Nogueira, que integrou a chapa de João Ribeiro na primeira gestão do prefeito.

Na página do jornal, estão publicados trechos do depoimento de JB que, entre outras coisas, afirma que Paulo Ribeiro participou da campanha que elegeu João Ribeiro ao posto de prefeito em 2004, “angariando fundos para o seu financiamento”.

Em outro trecho, Bosco afirma que foi Paulo Ribeiro quem indicou o ex-secretário de Finanças, Silvio Serrano, exonerado em outubro de 2010, para ocupar a pasta. Na sequência, o ex-vice-prefeito ressalta que foi Paulo quem montou a equipe do Departamento de Licitação e Compra do Poder Executivo, “formada integralmente por pessoas de fora cidade”, diz.

Outro ponto levantado por João Bosco em seu depoimento foi que, durante o período que esteve como vice-prefeito do município, pode perceber que qualquer obra que fosse realizada por outras secretarias tinham que passar pelo “crivo” da Secretaria de Finanças, “o que gerou uma hipertrofia dos poderes da secretaria”.

Na segunda matéria, o jornal destaca a operação que ficou conhecida como “Mesa dos Apóstolos”. Este seria o nome das reuniões em que os diretores da Verdurama tratavam sobre as doações para campanhas eleitorais.

Em depoimento ao MP, Genivaldo Marques dos Santos, ex-sócio diretor da empresa, afirmou que a Verdurama fez “doação de forma não declarada e em espécie” a campanha de JR em 2004. No mesmo depoimento, Genivaldo detalhou que o esquema de doação culminou com a pressão sobre os prefeitos beneficiados pela empresa, para que fosse implementada a “terceirização da merenda ou dos chamados globais, que é a compra direta de gêneros alimentícios”.

Repercussão

Desde que o caso ganhou a mídia, em outubro do ano passado, o prefeito João Ribeiro ainda não procurou a imprensa para abordar o tema.

Um grupo de vereadores da Câmara de Pinda, liderado pelos parlamentares Ricardo Piorino, Dr. Isael Domingues e José Carlos Gomes “Cal”, aguardam o fim do recesso para tentarem emplacar uma comissão processante, que pedirá a cassação do prefeito João Ribeiro. O pedido está baseado no relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investigou, com base em documentos do MP, as suspeitas da máfia da merenda escolar.

Em nota recente, este blog destacou que o prefeito conta com uma base formada por cinco vereadores, que deverá impedir a abertura da comissão processante. Para que seja aprovada em plenário, oito dos 11 vereadores precisam votar favoráveis à comissão.

JR tem ao seu lado os parlamentares: Dr. Jair Roma (PPS), Alexandre Faria (PSB), Dr. Marco Aurélio (DEM), Toninho da Farmácia (PDT) e Dona Geni (PPS). O grupo que quer a abertura da CP teria que garantir dois parlamentares deste grupo para aprovar a medida. As únicas esperanças, ainda assim pequenas, estão nos nomes do Dr. Marco Aurélio e de Toninho da Farmácia.

Para ler as matérias completas do Estadão, nos links abaixo:

Depoimento revela propina para lobista

´Mesa dos apóstolos´ decidia sobre os valores das doações