Hoje, dia 1º de janeiro de 2011, começa mais um ano da história da humanidade. Em Pindamonhangaba, no campo da política, os próximos 365 dias prometem ser bastante intensos.

Abaixo, alguns argumentos e perspectivas do que deve acontecer dentro – e fora – das paredes dos poderes Executivo e Legislativo ao longo deste ano.

Voltando no tempo

A noite do dia 5 de outubro de 2008 foi de muita festa para os partidos que integram a base de situação em Pinda. Reeleito após derrotar um “mito” da política municipal – Vito Ardito Lerário -, João Ribeiro tinha mais motivos para comemorar além de sua própria vitória.

Na Câmara, a base governista garantiu sete das 11 vagas do Legislativo. O enfraquecimento da oposição ficou clara no dia 1º de janeiro de 2009. No dia da posse, quando também acontece a definição da Mesa Diretora do Legislativo e formação das comissões internas, nenhum dos quatro nomes de oposição apareceu nesses grupos. Domínio total da situação.

Aos poucos, passada a ressaca da “derrota” e de forma estratégica, a oposição foi encaixando alguns de seus nomes em comissões – uma forma de garantir voz dentro do Legislativo. Uma medida fundamental, diga-se.

Um tiro no pé

Os problemas para a sólida e numerosa base governistas começou ainda em 2009 – mais precisamente no segundo semestre do ano. Devido às suspeitas de nomeações irregulares em assessorias do Legislativo, o vereador Abdala Salomão (PSDB), da oposição, conseguiu emplacar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o caso.

Nos relatórios, eram pedidas as destituições dos vereadores Martim César e Toninho da Farmácia – ambos da situação – dos cargos de presidente e vice-presidente da Casa.

A CEI acabou não emplacando, em uma sessão bastante tumultuada. O erro da base governista foi ter abraçado a CEI. Era de interesse da situação ver o presidente Martim – que mantém boas relações com Jânio Ardito e Cal, vereadores de oposição – fora do posto de presidente.

O tiro saiu pela culatra e, o pior, abriu margem para a composição de uma nova chapa oposicionista – no início, bastante discreta.

Nova eleição

O ano de 2010 no Legislativo foi marcado pela abertura de duas CEI’s e, logo nos primeiros meses do ano, os primeiros passos para a escolha do novo presidente da Casa para o segundo biênio começaram a percorrer os corredores do Legislativo.

A situação sempre esteve fechada com o democrata Marco Aurélio – um acordo antes mesmo do biênio 2009/2010, quando Martim César foi eleito presidente da Mesa.

Por sua vez, a oposição tentava tirar o foco do assunto, mas os nomes de Jânio Lerário e Abdala Salomão eram cotados para entrarem na disputa.

Deslizes internos

Não bastasse o novo cenário que se desenhava no Legislativo, os pepinos que estão nas mãos do Ministério Público começaram a estourar. Diversas suspeitas de uso irregular do dinheiro público, falhas em processos de licitação, recebimento de propina e obras inacabadas colocaram o Poder Executivo em alerta.

Então, em outubro, a primeira grande baixa da gestão João Ribeiro. O prefeito exonerou do cargo o então secretário de Finanças, Silvio Serrano, e o Diretor de Licitações, Marcelo dos Santos. A medida foi uma forma de responder ao MP, que investiga uma suposta formação de certeis de superfaturamento na parceria com empresas privadas no fornecimento de merenda escolar do município.

Na época, o vereador Carlos Gomes Cal, que assumiu a presidência da CEI da Merenda, aberta na Câmara na mesma época, afirmou que era apenas o início dos problemas que estavam aparecendo.

De fato, dois meses depois, o vereador Ricardo Piorino, do mesmo partido do prefeito (PPS), foi à Tribuna da Câmara e afirmou ter sofrido intimidações do então secretário de Esportes, Misael Cesarino Júnior, o Tayoba. Na mesma ocasião, Piorino conseguiu emplacar a abertura de uma CEI para investigar a Sejelp e o pedido de exoneração de Tayoba.

No primeiro momento, JR sustentou que não exoneraria mais ninguém…

Eleição histórica

No meio deste turbilhão, aconteceu a eleição da nova Mesa Diretora da Câmara e a formação das comissões para o segundo biênio. A nova chapa oposicionista, que começou a ser formar no final de 2009, ganhou força e virou realidade.

Com os votos dos quatro parlamentares “oficiais” da oposição, o vereador Ricardo Piorino foi eleito o novo presidente do Legislativo. Ele contou ainda com o voto do então presidente Martim César, que não cumpriu um acordo firmado com a base, o próprio partido e o companheiro de legenda Marco Aurélio. Este foi derrotado com cinco votos…

A Mesa Diretora foi dominada por membros da “nova” oposição e o mesmo acontece nas Comissões, com grande número de oposicionistas.

Fechando o ano

No início de dezembro, um grupo de vereadores realizou duas reuniões com o prefeito João Ribeiro. Os parlamentares pediram o afastamento imediato dos membros do poder executivo que estivessem sendo investigados em supostas irregularidades pelo MP.

Então, na última semana do ano, o prefeito exonerou o secretário Tayoba e o secretário de Obras José Antenor. Oficialmente, foram os próprios que entregaram seus cargos. Neste ano, JR exonerou ainda o Diretor de Arrecadação, Lobato.

2011: ano chave!

Com todos os pontos ocorridos no último ano, um novo cenário está desenhado para o próximo biênio dentro do Poder Legislativo – mais do que nunca, aguçado em fiscalizar. A base governista entra enfraquecida – no número de representantes e no discurso. Hoje, o prefeito pode contar 100% apenas com os vereadores: Jair Roma, Dona Geni, Toninho da Farmácia, Dr. Marco Aurélio e Alexandre Faria.

Assim mesmo, é bom aguardar para ver quem realmente forma esse grupo.
Do outro lado, a oposição está consolidada com Abdala Salomão, Dr. Isael Domingues, Cal, Jânio Ardito, Martim César e Ricardo Piorino (novo presidente).

Além da nova formação no Poder Legislativo, JR ainda terá que administrar bem as coisas dentro do Executivo, para que novos casos não possam balançar novamente as estruturas.
Para complicar um pouco mais, a eleição 2012 está cada vez mais perto e tem muita gente sonhando com a cadeira do Executivo.

Porém, nem tudo são flores para a oposição. Dr. Isael nunca escondeu que quer estar na corrida para prefeito no próximo ano, mas, dentro do tucanato, Vito Ardito já inicia a formação de uma chapa para voltar ao pleito. O destino do parlamentar pode ser o DEM.

* Há tempo:

Diferentemente do publicado acima, o nome correto do diretor de Arrecadação exonerado é Logato e o nome completo do vereador Cal é José Carlos Gomes.