Aborto, uso da camisinha e união homossexual.

Três temas que incomodam líderes e comunidades religiosas. Questões que, para esses grupos, estão acima de qualquer discussão. Mais do que isso, são assunto s que, única e simplesmente, deveriam ser jogados a inércia do pensamento humano.

O primeiro ponto, o aborto, voltou a ganhar força durante o período eleitoral. Tópico que tem tirado o sono dos coordenadores de campanha da ex-ministra Dilma Rousseff, candidata do PT. No programa do partido estava prevista a discussão sobre a descriminalização do aborto.
A sociedade reagiu mal, os efeitos foram negativos… Por isso, politicamente o assunto não convém estar em pauta. A solução para o segundo turno do processo eleitoral foi a retirada do argumento da linha de campanha.

Quem perde com isso? Vejamos…

São muitas as correntes da sociedade que defendem o direito à vida. Seria um bom sinal; mas, aqui, abre-se um parêntese para um questionamento oportuno: “De fato defendem?”

Quando o assunto é aborto, o posicionamento 8 ou 80 pouco ajuda a construir. Muitos preferem abafar o tema – como dito acima: empurrar para o “cofre” das questões indiscutíveis.
Pode parecer estranho, mas esse extremo do posicionamento fere a democracia e o direto à vida. Pois, sim: fere o direito à vida!

Estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde mostra que seis milhões de mulheres praticam aborto induzido na America Latina anualmente. No Brasil, são 1,4 milhões de “ex-futuras-mães” que não respeitam o direito à vida todos os anos.

E onde está concentrado esse número absurdo de abortos “pensados”? Em clínicas clandestinas – resultando não apenas na retirada da vida de um futuro bebê, mas também colocando em risco a vida da mulher. O mesmo estudo revela que uma em cada mil mulheres morre em decorrência de aborto no País.

Aqui, cabe repetir a pergunta: “Afinal, do jeito que está, o direito à vida está sendo respeitado?”

A partir do momento que a sociedade prefere vendar os olhos para o tema do aborto e opta por “deixar como está”, nada muda: 1,4 milhões de mulheres continuarão escolhendo o caminho do aborto como solução única e irremediável. Até pelo fato de, no desespero, não encontrarem rota alternativa.

Colocar o assunto em pauta pode ser um grande passo para se encontrar um meio termo e, de fato, fazer ser respeitado o valor da vida.

Em caso de estupro ou de mães de baixa renda, precisa ter a mulher a garantia da assistência moral e financeira por parte do Estado durante a gestação e na criação de seu filho. Medida que criaria rota alternativa para as mulheres que optam pelo abordo…

O Estado assumindo parte da responsabilidade que lhe é dever, abre-se espaço para a criação de leis rigorosas contra as clínicas de aborto e quem escolhe esse caminho. Seria reforçado o cerco contra a prática – penas de reclusão e pagamento de elevadas indenizações pelo desrespeito à vida.

Paralelamente, seriam intensificadas as campanhas de combate à prática do aborto.

O cenário colocado acima é apenas um sobrevoar sobre as possibilidades; mas, a idéia é apenas comprovar que há como avançar na questão aborto. Mas, para isso, é necessário discutir o tema. Colocar na mesa e promover uma democracia participativa para se conquistar o patamar sustentável do direito à vida.

Aqui, cabe até estabelecer um paralelo com a “Lei do Tapinha”. Muitos criticaram a criação da lei, que criminaliza a agressão infantil.

“Então, eu, como mãe, que sempre dei palmadas, não posso mais agir dessa forma?”

Se você entende ser assim a melhor forma de educar, não há o que lhe impeça de continuar com essa postura. A lei, na verdade, chegou para inibir quem de fato agride violentamente crianças: ou é normal bater ao ponto de deixar marcar e lesar com mais seriedade?

Assim tem que ser encarada a questão do aborto. Não é partir do pressuposto que a melhor medida é descriminalizar; mas discutir o assunto com transparência para galgar degraus…

Aqui, fica um apelo aos dois candidatos à presidência da república, José Serra e Dilma Rousseff: Não deixem que correntes sem visão periférica e o simples interesse eleitoreiro tire da pauta o tema aborto. Há como dar caminho alternativo para 1,4 milhões de mulheres que, anualmente, se mutilam, colocam em risco suas vidas e tiram de pequenos inocentes o direito de encontrarem a luz do dia.

Avante, Brasil… Vamos permitir que a vida seja, de fato, respeitada!