Na última semana as atenções do esporte de Pindamonhangaba ficaram divididas entre a disputa dos Jogos Regionais, em Taubaté, e um fato levantado pela revista “Lance!Net”.

O título da reportagem é: “Pindamonhangaba monta ‘equipe fantasma’ de vôlei”

O fato pouco repercutiu na região, mas nos âmbitos em que esteve em discussão os ânimos foram bastante acalorados.

Na Câmara dos Vereadores, por exemplo, até reunião extraordinária aconteceu para que o assunto fosse tratado. O encontro dos parlamentares aconteceu no dia 20 de julho, dois dias após a publicação da reportagem, com data de 18 de julho.

Logo surgiu o assunto da abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), para investigar o fato.

A oposição, que não se sabe mais por quem é composta de fato, tentou articular a abertura da Comissão. Logo representantes do poder executivo foram informados do ocorrido no prédio parlamentar.

E olha que não foi nem a base governista que alertou…

Mas, vamos aos fatos…
Este colunista soube do desenrolar do assunto após a publicação da edição semanal da coluna “Papo, pauta e café”. Por isso, o tema não foi tratado na última semana.

Porém, uma leitura mais crítica do texto vai revelar uma série de problemas de levantamento de informações e incoerências. O título espanta e se espera uma matéria investigativa, com todos os pontos envolvidos; mas, logo nos primeiros parágrafos, os erros.

“O time, que tem o apoio da Secretaria de Esportes da cidade, inclusive já teria contratado alguns jogadores para a disputa dessas competições”, diz trecho do artigo.

Então, sendo assim, na sequência espera se ouvir algum jogador “contratado”, como revela a matéria.

Eis que surge: “O problema, no entanto, é que tais jogadores dizem não ter conhecimento nenhum sobre o acerto e sobre a estrutura do projeto de Pindamonhangaba. O líbero Alan Domingos, ex-Pinheiros/Sky, é um dos nomes dados como certo […]” “Eles me procuraram e chegaram até a me enviar um documento como proposta. Mas não assinei contrato com ninguém.”

Fica a dúvida: contratou ou não alguém? A reportagem não houve nenhum jogador contratado para o “projeto fantasma”.

A reportagem diz que “(o time) já teria contratado alguns jogadores”, mas ouve um que não assinou contrato?

Depois, mais abaixo, quando cita o envolvimento do empresário Matheus Moreira, aponta o seguinte: “Moreira, no entanto, seria um procurado da polícia de Bertioga, no litoral de São Paulo, devido a um caso no carnaval deste ano, quando teria promovido um festival de shows na cidade sem licença legal”

Erro grave para quem tem um pouco de conhecimento sobre as funções de um jornalista. O trecho “teria promovido um festival de shows na cidade sem licença legal”, pode – e deve – trabalhar em cima de suposições já que o assunto está em processo de investigação. Mas ao escrever, “Moreira, no entanto, seria um procurado da polícia de Bertioga”, o jornalista comete a falha.

No máximo, alguém pode “ser” um procurado. Não existem suposições neste caso. A impressão passada é que a informação veio de uma fonte oficiosa – alguém que faz parte de alguma das estruturas envolvidas, mas não responde pela organização. Cauteloso, o jornalista trabalha como algo “possível”.

Outro ponto errado na condução da matéria é o fato de citar o envolvimento da Secretaria de Esportes da cidade, mas nem mesmo tentar um contato com algum representante do órgão. Isso fica evidente já que em nenhum trecho há, por exemplo, algo como: “tentamos contato com a Secretaria de Esporte, mas não fomos atendidos.”.

Claro, existem falhas…
Este colunista não está aqui para ser advogado de ninguém, apenas ressaltando que a matéria não tem embasamento suficiente para classificar o time como “fantasma”.

Fica claro, sim, que existiu – e talvez ainda exista – um erro de planejamento. Nenhuma equipe tem uma data anunciada para apresentar seu elenco e cancela o evento alegando “problemas internos”.

Como cita a própria matéria, duas assessorias distintas enviavam informações sobre a montagem do time.

Há algo estranho no ar? De fato!

Cabe apuração? Não tenha dúvida…

Mas é preciso haver coerência e bom senso.

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