É, torcedor brasileiro: a “seleção dos sonhos” mais uma vez não reflete o desejo da grande maioria.

Seja taxado de turrão, teimoso, cabeça dura, ou qualquer outra denominação para caracterizar o treinador Dunga, ninguém pode negar que tem o grupo na mão.

Sim, o “filho” do Luiz Felipe Scolari, tem os 23 nomes de sua lista nas mãos. A equipe é dele e ninguém “tasca”. No máximo Jorginho tem a liberdade de dar palpites. E olhe lá…

No mais, quem manda e desmanda é Dunga. Quando dizem que ele mandou a lista de convocados para o presidente Ricardo Teixeira aprovar. Vamos e convenhamos, esse “aprovar” está fora de contexto.

Teixeira foi apenas um privilegiado – ou não -, entre os 190 milhões de torcedores, com a chance de ver a lista antes da divulgação oficial. Uma mera questão de hierarquia.

Como a maioria dos despachos judiciais, como faz um bom e ocupado Juiz, nem leu com atenção e apenas assinou.

Queria o Ricardo Teixeira ter um Neymar, Ronaldinho Gaúcho e Ganso na Seleção?

Claro que queria. Imagine o “auê” no país. Resultado: mais camisas oficiais vendidas. Iriam, sem dúvidas, superfaturar – no bom sentido na expressão.

No entanto, repetindo, quem manda por ali é Dunga. Gaúcho. Assim como Felipão; de personalidade forte.

O “país” queria Romário em 2002. Menos Felipão. Então, Romário não vai!

Assim como Ricardo Teixeira, quem não queria um Neymar, Ronaldinho Gaúcho e Ganso na Seleção?

Talvez não fosse nem o caso dos três juntos, mas ao menos um.

A convicção que o João da Padaria tem, não é a mesma do cliente que todos os dias, no final da tarde, passa para levar cinco unidades de pão francês para a casa. Seu João queria ver apenas Neymar; enquanto o cliente esperava ver Ganso e Ronaldinho Gaúcho.

Cada brasileiro tem a sua convicção.

E o Dunga a dele.

Mas quem decide no final das contas?

Fosse diferente, mais fácil então não ter treinador. Ou tivesse, e esse se submetesse a apenas treinar a equipe. Quem escala é a população: através de voto – urna eletrônica ou papelzinho.

Tivesse sido do povo a seleção brasileira desde 1930; seriamos pentacampeões mundiais?

Talvez tivéssemos vencido todas as edições da Copa. Mas alguém arrisca voltar na história, apagar tudo, e recomeçar diferente: do jeito descrito logo acima?

A seleção de Carlos Alberto Parreira em 2006 não abriu espaço para questionamentos. Era a seleção dos sonhos de todos os brasileiros – ou a grande maioria. E o que vimos?

Não é questão de defender ou atacar Dunga. Apenas uma constatação: cada um tem sua convicção. A única diferença da minha – da nossa –, basicamente baseada na emoção do futebol arte apresentado pelos meninos da Vila nos últimos meses, é que a (convicção) do Dunga tem uma série de parâmetros.

Resumindo, estamos diante da Seleção dos Sonhos. Dos sonhos do Dunga, claro! Mas era o único que tinha o poder de fazer o sonho virar realidade no dia 11 de maio de 2010.

E, apenas uma segunda constatação: a “nossa” seleção dos sonhos de 2014 será outra, totalmente diferente da “nossa” seleção dos sonhos de 2010. Agora, caberá saber qual será a seleção dos sonhos de um único homem dentro de quatro anos; e será ele o único capaz de fazer o próprio sonho virar realidade.

Querem saber de uma coisa: tomara seja assim!

Para encerrar, uma observação pessoal: acho que Ganso e Ronaldinho Gaúcho deveriam estar na lista.

Porém, essa é a minha convicção!

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