O plenário da Câmara de Vereadores de Pindamonhangaba estava lotado na noite desta sexta-feira, dia 22. O blog Papo Sem Censura esteve presente.

Acabou há pouco a Assembléia convocada pelo Sindicato dos Funcionários Públicos para votação do estado de greve da categoria. A ação é um repúdio a proposta de reajuste salarial do prefeito, taxada em 3%.

Desde que iniciei a explanação sobre esse assunto, não escondi meu posicionamento contrário ao irrisório aumento.

Vivemos crise. Isso é fato. Mas 3%, abaixo do índice de inflação, em 6,28%, é vergonhoso.

Na entrada do Legislativo, assessores do prefeito entregavam uma carta aberta assinada por JR. Alguns pontos de destaque da carta:

“3% não é o que o prefeito acha justo e nem o que eu gostaria de oferecer aos meus colaboradores. Mas é o que é possível fazer neste momento, e aguardar uma reavaliação da crise em 6 meses”.

Comentário: A prefeitura foi irredutível. Em nenhum momento pareceu disposta a negociação.

“Quem aumenta o salário do prefeito é a Câmara Municipal, antes da eleição, antes de saber quem é o prefeito. É preciso saber que como prefeito impedi o aumento de meu salário por duas vezes, em 2005 e 2007. No último ano, vetei novamente a lei da Câmara que aumentaria meu salário, mas os vereadores da época derrubaram o veto e mantiveram o aumento contra minha vontade”.

Comentário: Fato. O prefeito tentou barrar o aumento do salário, mas a Câmara manteve o reajuste. Agora, os vereadores querem sair como heróis da história.

“Quando iniciei meu governo em 2005, o piso salarial da prefeitura era de R$ 260, 00. Em 2008 passou para R$ 584,00”.

Comentário: Fato. Mas isso não justifica o “patético” 3%.

Três vereadores deram as caras: Dr. Isael, Abdala Salomão e Cal (que saiu antes do início da Assembléia). Todas da oposição.

Conduzida pelo enfático Daniel Ramos, presidente do Sindicato, a assembléia esperava a presença de representantes da CUT de Taubaté. Que não compareceram.

Momentos de desconforto: Daniel Ramos colocou o irmão do prefeito, Mané Ribeiro, que acompanhava a sessão, e o assessor Carlos Magno (Carlão), na roda. Os dois assinaram a lista de apoio à greve, sob os gritos dos servidores no plenário: “Assina, assina, assina!”

Conduzido pelo advogado do sindicato, Dr. Brito, foram votados cinco itens:

– Reajuste de 3%: Negado
– Estado de Greve: aprovado
– Nova reunião com o prefeito: aprovado
– Apoio da CUT: aprovado
– Aceitação do cessar da greve a partir da discussão com base no Índice INPC e Data Básica: aprovado

O estado de greve será protocolado junto ao poder executivo e ao Ministério Público do Trabalho na próxima segunda-feira.

A paralisação dos funcionários de serviços de caráter essenciais deve ter início depois de 72 horas. Os demais serviços dentro do prazo de 48 horas.